...
Geral

Kratom ganha notoriedade nos EUA após mortes de estudantes em Mississippi e alertas de segurança

Jeffrey Deaver, um lenhador aposentado de 58 anos do estado de Washington, é um dos muitos consumidores de kratom, uma erva com efeitos que imitam opioides, que ganhou popularidade nos Estados Unidos na última década. Deaver utiliza a substância para aliviar dores crônicas severas e relata ter encontrado alívio quando outros tratamentos não funcionaram. Ele afirma que o uso do kratom foi “como um milagre”, permitindo-lhe dormir melhor e funcionar em sua vida diária.

Recentemente, o uso do kratom ganhou atenção após a descoberta de embalagens da substância em posse de dois estudantes da Universidade do Mississippi que faleceram. Embora as mortes não tenham sido diretamente atribuídas ao kratom, as autoridades estão emitindo alertas sobre seu consumo, levando a um debate crescente sobre sua segurança e regulamentação. A substância é frequentemente adquirida sem receita médica e está disponível em formas de comprimidos ou líquidos em várias lojas.

Existem preocupações sobre a falta de regulamentação do kratom nos EUA, já que ele não é controlado pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) e é legal em vários estados, incluindo o Mississippi. Por outro lado, países como o Reino Unido já baniram a substância, enquanto no Brasil, uma recomendação de 2023 indicou que o kratom deveria ser incluído na lista de plantas proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O kratom, originário do Sudeste Asiático, é usado há séculos por suas propriedades estimulantes. As folhas são tradicionalmente consumidas como chá e, desde 2016, começaram a ser comercializadas como suplementos nos Estados Unidos. Shane Speights, reitor da Faculdade de Medicina Osteopática do Instituto de Tecnologia de Nova York na Universidade Estadual do Arkansas, observa que a crescente disponibilidade e o uso do kratom podem ser problemáticos, já que muitos produtos não têm garantias sobre sua composição.

Os efeitos do kratom variam em função das doses. Em baixas quantidades, ele atua como um estimulante, enquanto doses mais elevadas podem proporcionar alívio da dor, mas também apresentam riscos sérios, como a depressão do sistema nervoso central, que pode levar a colapsos cardiovasculares e parada respiratória. Além disso, usuários podem desenvolver dependência e enfrentar dificuldades em suas vidas pessoais e profissionais devido ao uso excessivo da substância.

Atualmente, o kratom é ilegal em 11 estados americanos, que incluem Alabama, Arkansas, e Massachusetts — este último sendo o estado mais recente a proibir a substância. Contudo, a regulamentação do kratom nos Estados Unidos é bastante variada, e muitos consumidores expressam que não sabem o que estão realmente comprando, uma vez que a rotulagem e a composição dos produtos não são frequentemente verificadas.

Em resposta, grupos contrários ao kratom estão pressionando os governos estaduais a tomar medidas mais rigorosas, enquanto defensores da substância, como a American Kratom Association, buscam diferenciar produtos sintéticos que se passam por kratom natural e que podem representar perigos adicionais. O debate em torno do kratom continua em evolução, junto com sua aceitação e regulamentação global.

As Mais Lidas de Hoje

[wtpsw_gridbox showdate="false" showauthor="false" show_comment_count="false"]
[taxopress_relatedposts id="1"]

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios