
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, do partido Novo, foi destaque em um embate judicial após o pedido do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, para que ele seja incluído no inquérito das fake news. Gilmar ficou em evidência devido a um vídeo satírico que o retratava como um fantoche. Conforme informações publicadas pelo O Globo, a pressão de Mendes se volta para o procurador-geral da República, Paulo Gonet, na busca por um aval para sua iniciativa. No entanto, essa ofensiva encontra resistência na alta cúpula da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Pressão e Resistência na PGR
Relatos obtidos pelo O Globo indicam que Gilmar Mendes tem sido insistente na busca de apoio de Gonet, que, segundo fontes internas, é aconselhado a deixar a questão esfriar. Além disso, membros da equipe de Gonet sugerem que, caso haja uma resposta ao pedido de Gilmar, ele poderia delegar a responsabilidade a um subordinado, evitando as críticas diretas que tal decisão poderia gerar.
Atualmente, Gonet não possui um prazo definido para tomar uma decisão sobre o caso, e a situação parece estar parada. Gonet, que foi indicado e reconduzido ao posto pelo presidente Lula, conta com o apoio de Mendes, seu antigo colega no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP).
Clima de Incerteza
A apreensão predomina nos bastidores da PGR em relação ao pedido de Gilmar. A maioria dos subprocuradores-gerais acredita que o inquérito deveria ser encerrado, visto que foi instaurado em março de 2019 por Dias Toffoli, então presidente do STF, para investigar ameaças a membros da Corte.
Apesar das pressões externas, incluindo críticas de entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito, não parece disposto a concluir as investigações a curto prazo. Ele comentou que o inquérito deverá permanecer aberto até pelo menos as eleições de outubro.
Descontentamento Dentro da PGR
Opinões divergentes estão surgindo, com alguns membros da PGR considerando o inquérito um instrumento de coerção, enquanto outros veem o pedido de Gilmar como um teste para Gonet em sua função de chefe do Ministério Público Federal (MPF). “Gonet deve se questionar se será leal a Gilmar ou à Constituição”, afirmou um interlocutor que pediu anonimato.
No entanto, mesmo em meio à indecisão, a PGR arquivou um pedido recente para abrir uma ação civil pública contra Gilmar por suas declarações. O procurador responsável revisou as observações do ministro, que mencionou a homossexualidade de forma considerada ofensiva em uma entrevista, mas aceitou a retratação pública de Gilmar como suficiente para arquivar a queixa.
Assim, o cenário permanece tenso, com a PGR tomando precauções para evitar repercussões maiores em uma situação já delicada, enquanto a disputa envolve não apenas questões legais, mas também a imagem pública dos envolvidos e as dinâmicas políticas em jogo.











