
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começa a semana em busca de recuperação após duas derrotas recentes. O Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, uma situação sem precedentes desde 1894, e o Congresso derrubou o veto ao PL da Dosimetria, que favorece Jair Bolsonaro (PL) e outros envolvidos nos eventos de 8 de Janeiro.
Em reuniões reservadas, membros do governo têm discutido possíveis retaliações ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), incluindo a demissão de indicados que estão ligados ao senador. Contudo, essa decisão ainda não foi formalizada e dependerá da avaliação de Lula, que opta por focar em questões econômicas enquanto aguarda a situação acalmar.
No dia seguinte à derrota de Messias, Lula fez um pronunciamento em rede nacional, em homenagem ao Dia do Trabalhador, sem mencionar a conturbada relação com o Senado. Em vez disso, ele destacou a pauta do ‘6 X 1’ e o programa ‘Desenrola’, evitando tocar no recente revés.
Iniciativas em Andamento
O governo está promovendo a redução da jornada de trabalho como uma política voltada ao bem-estar das mulheres, que constituem a maior parte do eleitorado. Na segunda-feira, 4 de maio, entra em vigor o Novo Desenrola, que busca mitigar o endividamento no Brasil. Este programa começará a ser implementado através de uma Medida Provisória, mas ainda precisará ser aprovado pelo Congresso em até 120 dias para se tornar lei.
Durante o pronunciamento, Lula criticou a elite brasileira, que, segundo ele, historicamente se opôs a conquistas para os trabalhadores.
Desafios no Senado
Mudar o foco não resolve o impasse com o Senado. O Planalto ainda está avaliando se irá retaliar Alcolumbre. Entre as opções discutidas está a demissão de cargos de confiança associados ao senador. No entanto, há cautela em torno da decisão.
Após o episódio Messias, Alcolumbre ganhou influência sobre Lula. A PEC que propone o fim da escala 6 X 1 avança na Câmara, podendo ser votada em maio, antes de seguir para o Senado, onde o ritmo será ditado pelo presidente da Casa. Essa proposta é crucial para Lula, considerando que 55,7% da população apoia a alteração, conforme levantamento do AtlasIntel/Bloomberg.
Adicionalmente, Alcolumbre também retém o andamento da PEC da Segurança Pública, que aguarda despacho do presidente do Senado para ser encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça. O governo classifica este projeto como importante, especialmente diante das preocupações crescentes da população, segundo pesquisa do Datafolha.
Além disso, o governo ainda precisa que suas 27 nomeações passem pelo Senado em 2026, incluindo cargos importantes no Banco Central e na Anvisa. Embora essas nomeações não impactem diretamente o eleitorado, elas são fundamentais para a articulação política.
Futuro de Jorge Messias
A respeito da rejeição de Messias, o presidente não se manifestou publicamente. O advogado-geral da União, que apresentou sua saída após a derrota, pode ser mantido no governo, com Lula avaliando essa possibilidade. A abordagem para o STF indica que o presidente não deve abrir mão de indicar um novo nome, embora o momento para isso ainda não esteja claro. Enquanto isso, Lula busca mudar o foco da pauta política.
Leia também:



