
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, decidiu na última quinta-feira (30) retirar o sigilo das investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) sobre o senador Jaques Wagner (PT-BA) no âmbito do caso do Banco Master. Conforme informações divulgadas pela CNN Brasil, os documentos que agora estão disponíveis ao público trazem novos detalhes sobre a apuração, que faz parte da 9ª fase da Operação Compliance Zero, na qual Wagner figura como um dos investigados desde junho.
A compra do apartamento de luxo
A PF identificou que houve tratativas acerca da aquisição de um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em aproximadamente R$ 2,5 milhões, destinado a Jaques Wagner. As investigações indicam que as negociações prosseguiram mesmo após a prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ocorrida em novembro de 2025, durante a primeira fase da operação.
Documentos oficiais revelam que Wagner solicitou o apartamento a Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, como uma “vantagem indevida”. Lima foi preso em 2025 e atuou como CEO do Banco Master, que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em fevereiro deste ano.
Transporte feito por sócios do Master
A PF encontrou mensagens no celular de Vorcaro que sugerem que um voo foi utilizado, supostamente, para transportar Jaques Wagner. Nas comunicações, o ex-banqueiro pediu a utilização de uma aeronave discreta, que deveria ser retirada rapidamente da Bahia. Um trecho de uma mensagem dizia: “Nem apaga o motor”.
Os relatórios de investigação indicam que Vorcaro tinha controle sobre a logística operacional da aeronave, exercendo um papel decisivo no transporte. A apuração também revelou que tanto o senador quanto sua esposa, Maria de Fátima Carneiro de Mendonça, foram levados à “Ilha da Paixão” em um dos voos comandados por Augusto Lima.
Intensa comunicação com Augusto Lima
As investigações mostraram que Jaques Wagner e Augusto Lima mantiveram contato regular, com pelo menos 74 ligações entre novembro de 2023 e maio de 2025, totalizando mais de cinco horas de conversas. A suposta relação inclui discussões sobre a “Emenda Master”, abrangendo o monitoramento de propostas que frisavam a ampliação do limite do Fundo Garantidor de Crédito.
Além disso, a PF destacou que Wagner articulou reuniões com Augusto Lima e o advogado-geral da União, Jorge Messias. Há indícios de que uma dessas reuniões poderia ter contado com a presença de Messias, conforme registram mensagens analisadas pela investigação.
Presentes para autoridades
Uma troca de mensagens entre Lima e sua secretária revelou uma lista de autoridades da Bahia que deveriam receber presentes de Natal, em 17 de dezembro de 2024. Citaram-se nomes de figuras políticas proeminentes, como Bruno Reis (prefeito de Salvador), Rui Costa (ex-ministro da Casa Civil), e o próprio Jaques Wagner.
A investigação também apontou que os presentes eram garrafas de vinho, com valores que variavam de R$ 2.500 a R$ 5.300, acompanhadas de bilhetes manuscritos. Além disso, Wagner teria solicitado a compra de ingressos para um show da cantora Taylor Swift, beneficiando tanto familiares quanto amigos.
Até a publicação deste texto, a defesa do senador Jaques Wagner não havia se manifestado sobre as informações apresentadas.











