
Um novo pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi protocolado no Senado em 2 de setembro de 2026. A iniciativa é do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e recebe o apoio de outros 19 senadores. A denúncia alega a prática de crime de responsabilidade e destaca possíveis conflitos de interesse e relações econômicas do ministro com o Banco Master, objeto de investigações em curso.
Esta é a segunda vez que Vieira apresenta um pedido de impeachment contra Moraes, sendo a primeira ocorrida em abril de 2019. A nova representação visa promover a responsabilização dos ministros do STF, de acordo com as disposições da Constituição Federal.
“Apesar das dificuldades políticas impostas pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, considero essencial seguir em frente com um pedido de impeachment sério e fundamentado. Essa é uma questão permanente no Brasil, em defesa de uma Justiça equitativa para todos”, declarou Vieira.
Relações Comerciais Suspeitas
A representação indica um vínculo profissional entre o escritório Barci de Moraes, liderado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e Daniel Bueno Vorcaro, controlador do Banco Master. Um contrato assinado em janeiro de 2024 estipulava pagamentos mensais de R$ 3 milhões líquidos por 36 meses, totalizando mais de R$ 131 milhões. Um segundo contrato, datado de maio de 2025, teria previsão de até R$ 50 milhões, além de incluir investigações criminais contra os controladores do banco.
Além disso, foram encontrados metadados que sugerem que Moraes acessou e fez alterações em versões do primeiro contrato antes de sua assinatura. O escritório de advocacia confirmou que o ministro analisou o documento para garantir que não houvesse conflitos de interesse.
Elementos de Prova e Comunicação Pessoal
O pedido também aponta para operações relacionadas a aeronaves que, supostamente, teriam sido utilizadas pelo ministro e seus familiares. Mensagens e registros encontrados no celular de Vorcaro, incluindo um contato identificado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”, foram destacados. Os senadores enfatizam que a titularidade do número e o conteúdo das comunicações precisam ser investigados.
Os senadores questionam se Moraes deveria ter se declarado impedido ou suspeito em relação às suas decisões envolvendo pessoas ou instituições conexas ao caso. A representação não busca discutir o mérito das decisões do ministro, mas sim verificar se existiram interesses pessoais que pudessem comprometer sua imparcialidade judicial.
Solicitações do Pedido de Impeachment
Por fim, o pedido requer que o Senado considere a denúncia, inicie um processo por crime de responsabilidade e realize as diligências necessárias, como requisições de documentos e depoimentos. Os senadores pleiteiam a perda do cargo de Moraes e sua inabilitação para funções públicas em caso de confirmação de crime de responsabilidade.
Senadores Apoiadores
Além de Alessandro Vieira, as assinaturas que acompanham a representação incluem:
- Leila Barros (PDT-DF)
- Jorge Kajuru (PSB-GO)
- Flávio Arns (PSB-PR)
- Oriovisto Guimarães (PSDB-PR)
- Hamilton Mourão (Republicanos-RS)
- Styvenson Valentim (PSDB-RN)
- Damares Alves (Republicanos-DF)
- Tereza Cristina (PP-MS)
- Esperidião Amin (PP-SC)
- Cleitinho (Republicanos-MG)
- Carlos Viana (Podemos-MG)
- Luis Carlos Heinze (PP-RS)
- Mara Gabrilli (PSD-SP)
- Carlos Portinho (PL-RJ)
- Astronauta Marcos Pontes (PL-SP)
- Vanderlan Cardoso (PSD-GO)
- Sargento Reginauro (PL-CE)
- Zequinha Marinho (Podemos-PA)
- Wilder Morais (PL-GO)
As informações aqui apresentadas são baseadas em reportagens do portal Veja.











