
Os preços das passagens aéreas enfrentam nova pressão em 2024, impulsionada pela guerra no Oriente Médio e pela implementação do combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês). Conforme reportado pelo UOL, os custos das passagens já haviam aumentado devido ao alta do preço do querosene, e esta tendência pode se intensificar nos próximos anos.
Compromissos Ambientais e SAF
A partir de 2027, as companhias aéreas brasileiras deverão reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 1% ao ano até atingir uma redução total de 10% em 2037. Este esforço será amplamente dependente do SAF, um combustível produzido a partir de fontes renováveis como óleos vegetais, resíduos agrícolas e lixo orgânico.
Apesar da regulamentação do SAF, que visa estruturar o mercado, a questão do custo elevado do SAF permanece uma grande preocupação. Raquel Argentino, líder de sustentabilidade da Latam Brasil, destacou em evento recente que, “se o governo não criar mecanismos de incentivo, é provável que o preço das passagens seja impactado”. Atualmente, o combustível representa 40% das despesas operacionais das companhias aéreas, e previsão indica que o SAF pode custar até cinco vezes mais que o querosene convencional, dependendo da tecnologia adotada.
Desafios para o Setor Aéreo
A legislação brasileira não especifica o volume de SAF que deve ser misturado ao querosene convencional, diferentemente do que ocorre com a gasolina e o etanol. Essa falta de clareza dificulta a precificação e o planejamento financeiro das aéreas. Segundo Gustavo Tessari, da Gol, “certamente algo do custo será repassado aos passageiros, mas não sabemos o quanto”.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) está em conversações com o Ministério da Fazenda para discutir estratégias que enderecem os custos adicionais do SAF e outras questões tributárias. Marcelo Bernardes, da Anac, observou que o foco do governo tem sido em questões econômicas relativas à guerra no Golfo Pérsico, mas que o tema também está sendo considerado.
Impacto das Flutuações de Preço
No último trimestre, as companhias aéreas, como Latam e Gol, reportaram aumentos significativos nas despesas com combustível, refletindo o impacto da guerra na região do Oriente Médio. A Latam viu suas despesas dobrarem, com um custo adicional de US$ 800 milhões, enquanto a Gol enfrentou um acréscimo de US$ 445 milhões. Esta elevação no custo do combustível se traduziu em margens de lucro reduzidas e aumento nas tarifas médias.
O Futuro do SAF no Brasil
Atualmente, o SAF ainda não é produzido em larga escala no Brasil. A Petrobras é a única empresa que atualmente vende SAF no Brasil, utilizando uma tecnologia de coprocessamento em sua refinaria no Rio de Janeiro para produzir um combustível que é uma mistura de querosene e óleo vegetal, embora não seja considerado SAF puro.
Thiago Oliveira, gerente comercial de combustíveis de aviação da Petrobras, declarou que a soja e o milho estão sendo utilizados como matérias-primas na produção de SAF, com reduções significativas nas emissões de carbono. No entanto, a utilização de culturas agrícolas como a soja enfrenta resistência internacional devido a preocupações sobre segurança alimentar e desmatamento.
O Dilema do Mercado de Aviões
A escassez de SAF também está impactando os planos da fabricante Airbus. De acordo com Gilberto Peralta, presidente da companhia no Brasil, a escassez de combustível sustentável está adiando a capacidade de aeronaves para voar com 100% de SAF até 2030.
Regulamentação do SAF
Apesar da falta de incentivos tributários, o recente decreto que regulamenta o uso do SAF foi considerado um avanço. O mecanismo de “book and claim” possibilitará que o combustível sustentável seja produzido e consumido em diferentes locais, facilitando a movimentação e o contabilização de seus atributos ambientais.
Para mais informações, acesse o relatório completo no site original do UOL.











