
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, alterou seus hábitos após descobrir que era monitorado pela Polícia Federal (PF). A informação sobre sua supervisão surgiu em pelo menos seis relatórios de inteligência produzidos pela corporação, que foram inicialmente divulgados pelo ministro Alexandre de Moraes em 3 de setembro, durante um pedido de investigação no âmbito do inquérito das Fake News.
Desde a revelação, Mendonça passou a solicitar que as pessoas que o visitam coloquem seus celulares em uma caixa blindada, que impede a comunicação e bloqueia sinais. Além disso, ele utiliza um sistema de som que toca música erudita para dificultar escutas durante conversas privadas. Os relatórios sobre o ministro foram elaborados por uma unidade de inteligência da PF, recebidos pela direção-geral entre 3 e 31 de agosto de 2026, e não possuem identificação ou data de elaboração.
Os documentos analisam as decisões de Mendonça em duas operações da PF: Sem Desconto, que investiga fraudes relacionadas ao INSS, e Compliance Zero, que trata de irregularidades ligadas ao Banco Master. Em um despacho, Mendonça denunciou o “monitoramento sistemático” como uma prática ilícita, caracterizando-a como uma forma de “arapongagem institucional” e comparando a situação à narrativa distópica do livro “1984”, de George Orwell.
No mesmo despacho, o ministro classificou essa vigilância como uma grave transgressão à sua posição como membro da Suprema Corte. Ele também determinou o afastamento de funcionários da PF envolvidos em sua supervisão e iniciou investigações para apurar quem ordenou a criação dos relatórios e se há outros documentos semelhantes. A situação levanta questões sobre a segurança e a privacidade de ministros do STF diante do poder da polícia.











