
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, na noite de segunda-feira (31), um grupo de empresários e banqueiros no Palácio da Alvorada, em Brasília, com o intuito de fortalecer sua posição eleitoral a pouco mais de um mês do primeiro turno das eleições. O encontro teve como objetivo principal reduzir a desconfiança do setor privado em relação à sua candidatura à reeleição.
Participaram da reunião 16 representantes de diferentes segmentos do setor econômico, incluindo nomes como Josué Gomes (Coteminas), André Esteves (BTG), Luiz Carlos Trabucco Cappi (Bradesco), e Rubens Ometto Silveira Mello (Cosan). Além deles, figuras como Joesley Batista (JBS) e Roberto Setúbal (Itaú Unibanco) também marcaram presença. Estiveram presentes membros da equipe de campanha e do governo, como o vice-presidente Geraldo Alckmin e ministros de áreas-chave da administração pública.
Os convidados começaram a chegar ao Alvorada por volta das 19h30 e um jantar foi servido. Esse encontro é parte de uma estratégia mais ampla da campanha de Lula, que busca cooptar o apoio do empresariado, que historicamente apresenta resistência à sua figura, especialmente após a polarização política que surgiu nos últimos anos. Para facilitar essa aproximação, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi designado como porta-voz dos interesses do setor.
O PT havia planejado uma reunião com empresários antes do lançamento oficial da candidatura de Lula, mas o presidente vetou a ideia, visando evitar confusões na comunicação de sua base eleitoral, especialmente durante um evento que se destacou como um “retorno às origens”. Enquanto isso, seu principal opositor, Flávio Bolsonaro (PL), também está buscando apoio entre os empresários, realizando encontros semelhantes em São Paulo.
Petistas avaliam que a rejeição ao presidente Lula ainda é alta, o que pode dificultar a conquista de novos apoios. Críticos têm alertado para o aumento da dívida pública sob sua administração, acima de 80% do PIB, e a possibilidade de que as políticas fiscais adotadas impactem negativamente a inflação controlada pelo Banco Central.
Com essa realidade em mente, Lula tem sido aconselhado a construir um relacionamento mais estreito com o setor empresarial. Alguns membros de sua campanha sugerem que o presidente evite medidas com forte impacto fiscal durante a corrida eleitoral, com a finalidade de proporcionar um ambiente mais seguro para negociações futuras.
Aliados de Lula mencionam que, desde o início de seu novo mandato, ele deveria ter se aproximado mais dos empresários, uma recomendação que, segundo a análise de interlocutores, não foi devidamente seguida, levando a um distanciamento entre o presidente e o setor.
Recentemente, em uma entrevista, Lula fez um aceno ao empresariado ao afirmar que a responsabilidade fiscal é um conceito que orienta sua administração, mas contraditoriamente assegurou não se preocupar com a evolução da dívida pública.











