
O Grupo Pão de Açúcar (GPA) registrou um prejuízo líquido de R$ 1,44 bilhão no primeiro trimestre de 2026, um valor significativamente maior em comparação ao prejuízo de R$ 169 milhões do mesmo período do ano anterior. Segundo informações publicadas pelo Valor, a companhia atribuiu esse resultado negativo a efeitos não recorrentes, totalizando R$ 1,01 bilhão, que não impactaram o caixa.
Impactos dos Efeitos Não Recorrentes
O montante de R$ 1,01 bilhão inclui uma baixa contábil de software de R$ 348 milhões, relacionada à obsolescência dos sistemas utilizados, e uma redução de fundo de comércio e outros ativos que totalizou R$ 51 milhões. A contabilização de um impairment, referente a lojas, somou R$ 27 milhões, afetando o resultado operacional. Além disso, uma baixa de crédito no exterior, de R$ 588 milhões, impactou a linha de imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido.
Análise das Operações Contínuas
Desconsiderando os efeitos não recorrentes, o prejuízo líquido ajustado das operações continuadas do GPA seria de R$ 333 milhões. Em 2025, esse valor foi de R$ 93 milhões, beneficiado por R$ 196 milhões em ganhos não recorrentes, que incluíram reversão de provisões relativas a processos tributários anteriores.
Resultados Financeiros Gerais
Durante o primeiro trimestre de 2026, o GPA alcançou uma receita líquida de R$ 4,37 bilhões, um recuo de 8,2% em relação ao ano anterior. As vendas totais somaram R$ 4,8 bilhões, uma queda de 5,2% no comparativo anual. A companhia justificou essa diminuição como parte de sua estratégia para priorizar canais de maior rentabilidade, incluindo a descontinuação do formato Aliados, voltado para vendas diretas a pequenos comércios.
Embora o faturamento tenha diminuído, o custo das mercadorias vendidas registrou um declínio de 12%, totalizando R$ 3,02 bilhões, resultando em um lucro bruto de R$ 1,33 bilhão, alta de 1,3% em relação ao ano anterior. As despesas com vendas e administrativas também diminuíram em 3,5%, totalizando R$ 917 milhões.
Resultados Financeiros e Dívida
O resultado financeiro líquido do GPA foi negativo em R$ 381 milhões, uma piora de 19,8% em relação ao ano passado. O imposto de renda representou perdas de R$ 592 milhões no trimestre, revertendo os ganhos atingidos há um ano. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) somou R$ 458 milhões, uma alta de 12% em relação ao ano anterior.
Ao final do primeiro trimestre, a dívida líquida do GPA, que inclui recebíveis de cartão de crédito não antecipados, totalizava R$ 3,2 bilhões, enquanto a alavancagem financeira pré-IFRS 16 atingiu 3,5 vezes em relação ao Ebitda ajustado.
Para mais informações detalhadas sobre os resultados do GPA e de outras companhias de capital aberto, confira o Valor Empresas 360.











