
O Conselho Nacional de Justiça realiza, nesta quinta-feira, uma operação no gabinete do desembargador Newton Pereira Ramos Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). O magistrado se tornou conhecido após ser mencionado em mensagens do celular do banqueiro Daniel Vorcaro como parte da chamada “turma do KN”, referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal Kassio Nunes Marques.
A ação faz parte de uma investigação da Corregedoria do CNJ sobre processos do desembargador relacionados a precatórios. Na quarta-feira, o CNJ ordenou ao TRF-1 o cancelamento, em um prazo de cinco dias, de 16 precatórios totalizando R$ 4,7 bilhões, a serem restituídos à União. Documentos obtidos na operação indicam que valores do setor sucroalcooleiro foram listados no celular de Vorcaro como “precatórios a receber”.
Durante a operação, o CNJ também realiza fiscalização e auditoria nos computadores do gabinete de Ramos. Além disso, informações reveladas pela Polícia Federal indicam que a esposa do desembargador, a advogada Camilla Ramos, teria um contrato de advocacia de R$ 427 milhões com o Banco Master.
Ramos é visto como um aliado próximo de Nunes Marques, tendo atuado como juiz auxiliar do ministro no período em que ele ocupou a vice-presidência do TRF-1. A investigação aponta a suspeita de que o desembargador teria atuado como intermediário de pedidos do ministro junto a Vorcaro, incluindo uma solicitação de hospedagem no hotel Fasano e atualizações sobre os trâmites dos precatórios.
Em resposta à operação, a desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, presidente do TRF-1, destacou que assim que tomou conhecimento da diligência, ordenou colaboração total com as autoridades, garantindo acesso às dependências e informações requisitadas. Ela enfatizou o interesse do tribunal em esclarecer os fatos, reiterando que a integridade institucional e a transparência são prioridades.
A nota oficial também ressalta que a operação não deve ser vista como uma antecipação de responsabilidade e que devem ser respeitadas a presunção de inocência e os direitos constitucionais do devido processo legal, incluindo garantias de defesa. “A presidência reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência, a integridade institucional e o pleno esclarecimento dos fatos”, conclui a nota.
As atividades jurisdicionais e administrativas do TRF-1 seguem normalmente, sem prejudicar a prestação de serviços à sociedade.











