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SP

Ciclistas em São Paulo enfrentam perigos com ultrapassagens a 55 cm e alta de mortes

Um estudo recente revela que a segurança dos ciclistas na cidade de São Paulo está em xeque. De acordo com dados apresentados pelo site Folha de S.Paulo, três em cada quatro ultrapassagens feitas por veículos em relação a ciclistas ocorrem a uma distância inferior ao mínimo estabelecido pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que é de 1,5 metro. A distância média observada na cidade é alarmantemente de apenas 1,08 metro.

No contexto da zona leste, a situação é ainda mais crítica, com os veículos passando a uma distância média de apenas 55 centímetros dos ciclistas. Este panorama preocupante é resultado de um estudo desenvolvido pelo Instituto Cordial, a pedido do Itaú Unibanco, que se dedicou a monitorar as condições enfrentadas por ciclistas na capital paulista.

O Aumento das Mortalidades de Ciclistas

O relatório também destaca uma triste realidade: a mortalidade entre ciclistas na cidade cresceu 18% nos primeiros nove meses deste ano, em comparação ao mesmo período de 2025. O número de óbitos aumentou de 22 para 26, de acordo com dados do Infosiga, um sistema que monitora a violência no trânsito. Em contraste, o aumento total de mortes em todos os modais de transporte foi de apenas 1,5%.

Luís Fernando Villaça Meyer, diretor de operações do Instituto Cordial, afirma que a segurança dos ciclistas está intimamente ligada à necessidade de uma infraestrutura viária que proporcione maior proteção, incluindo faixas de recuo e ciclovias bem planejadas. Essa questão é especialmente relevante em áreas como a zona leste, onde as ruas tendem a ser mais estreitas.

A Importância da Infraestrutura

O estudo também mostra que a velocidade dos ciclistas aumenta em aproximadamente 18% em áreas que possuem infraestrutura dedicada, como ciclovias e ciclofaixas. Em resposta a essa situação, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informa que São Paulo possui a maior malha cicloviária do Brasil, com 795,5 km de extensão, e uma meta de expansão para 1.000 km até 2028.

Desde 2021, a gestão atual implantou 143,07 km e requalificou 357,05 km dessas vias. A CET acrescenta que agentes de trânsito estão realizando ações de fiscalização nas ciclovias, com apoio da Guarda Civil Metropolitana, para aumentar a conscientização acerca da circulação de bicicletas e veículos autopropelidos. Além disso, estão sendo promovidas ações educativas, incluindo o curso “Pedalar com Segurança”.

Exposição à Poluição nas Ciclovias

Outro ponto destacado pelo estudo do Instituto Cordial é a elevada exposição à poluição em trechos da ciclovia da marginal Pinheiros. A pesquisa revelou que a poluição nesses locais está 163% acima da média municipal. Ao analisar toda a extensão da ciclovia da marginal, o índice de poluição ficou 22% superior ao do restante da cidade.

Meyer explicita que a vegetação ao longo da ciclovia não é suficiente para bloquear a dispersão do material particulado resultante do tráfego de veículos. Segundo o relatório, essa poluição é uma ameaça à saúde dos ciclistas, pois o material particulado fino é particularmente nocivo aos pulmões.

Na região central da cidade, a poluição é 56% maior do que a média geral, sendo este o índice mais elevado entre as áreas analisadas. Distritos como Pinheiros, Alto de Pinheiros, Jaguaré e Lapa apresentam os piores níveis de poluição.

A Pesquisa em Detalhes

De setembro de 2025 a março de 2026, ciclistas percorreram mais de 10 mil quilômetros em diversas vias, utilizando equipamentos desenvolvidos pelo Instituto Cordial em parceria com organizações alemãs, em um projeto financiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Os dispositivos contêm sensores e inteligência artificial, permitindo o monitoramento da poluição e segurança para os ciclistas.

Vale ressaltar que os resultados do estudo correspondem apenas aos percursos monitorados e não refletem toda a infraestrutura cicloviária existente na cidade. Além disso, o índice de poluição apresentado é uma medida relativa e não calcula a quantidade de poluentes inalada por cada ciclista durante os percursos.

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