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Centenário da Teoria do Gene traz debates sobre genética e medicina personalizada na Unicamp

Em 2026, celebra-se o centenário do termo “gene”, um conceito fundamental na biologia, que surgiu a partir da Teoria do Gene, publicada pelo zoólogo e geneticista americano Thomas Morgan em 1926. Morgan utilizou a mosca-da-fruta (Drosophila melanogaster) como seu principal modelo de pesquisa, um inseto de pequeno porte, de reprodução rápida e fácil cultivo, muito encontrado em restos alimentares. Suas descobertas comprovam que os genes são unidades físicas localizadas em posições específicas nos cromossomos, estabelecendo assim a base para o campo da genética moderna. Morgan recebeu o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1933 por suas contribuições significativas para o entendimento da hereditariedade.

Para comemorar este marco, o Museu Exploratório de Ciências da Unicamp organizará uma atividade especial no dia 22 de outubro de 2026, conforme informado pelo portal Jornal da Unicamp. O evento contará com a presença do professor Guilherme Oliveira Barbosa, do Instituto de Biologia, que realiza pesquisas relacionadas à mosca-da-fruta e coordena o Museu Exploratório de Ciências.

Professor Guilherme Oliveira Barbosa, do IB: papel fundamental na pesquisa genética

Barbosa destaca que a pesquisa com Drosophila é crucial para entender doenças genéticas e o funcionamento celular. A genética moderna permite, por exemplo, a identificação de mutações associadas a doenças, incluindo tipos de câncer, e a compreensão da diversidade genética em populações diferentes. “A organização dos genes explica por que certas características ou doenças podem ser herdadas”, afirma o docente.

No entanto, no tempo de Morgan, a estrutura do DNA ainda não era conhecida, a ser descrita apenas em 1953. “Fomos da escuridão para a luz na genética”, comenta Barbosa, que também observa que atualmente o avanço nas técnicas de sequenciamento genômico é muito mais acessível.

Perspectivas da Medicina Personalizada

A medicina personalizada surge como uma aplicação direta do conhecimento genético. Essa abordagem visa combinar dados clínicos com informações genéticas para prever predisposições a doenças e direcionar estratégias de tratamento. Contudo, essa evolução levanta preocupações éticas, incluindo a privacidade dos dados genéticos e possíveis discriminações, como o uso de informações genéticas por empregadores.

“O entendimento do genoma humano terá um papel crescente na medicina, mas necessitará de discussões sobre proteção e discriminação relacionadas ao uso dessas informações”, observa Barbosa, salientando que as pesquisas iniciadas com as moscas há um século continuam a impactar nossa compreensão da saúde humana.

Armadilhas para Pesquisa

Os cientistas capturam Drosophila na natureza usando armadilhas simples com frutas em decomposição. Essa técnica possibilita a coleta de populações naturais, mas atualmente muitas das moscas usadas em laboratórios, como na Unicamp, são linhagens geneticamente modificadas e mantidas em condições controladas.

As primeiras linhagens vieram da Califórnia e, devido a suas modificações, o laboratório adota medidas rigorosas de segurança para evitar qualquer contaminação ou perda de material genético valioso que possa atrasar pesquisas.

Exibição do Filme “The Fly Room”

No evento do Museu Exploratório, será exibido o filme The Fly Room, que retrata a vida de Betsey, filha de Calvin Bridges, um dos pesquisadores associados a Morgan. A história promove um entendimento acessível sobre a importância dos estudos com Drosophila para a genética.

Após a exibição, haverá uma discussão mediada por professores convidados sobre a relevância dos organismos-modelo na pesquisa genética. O evento visa unir a ciência, a história e o cinema, oferecendo uma nova perspectiva sobre a hereditariedade e a genética.

Detalhes do Evento:
Data: 22 de outubro de 2026
Horário: 19h às 21h
Local: Museu Exploratório de Ciências – Unicamp
Entrada: Gratuita e aberta ao público (para mais informações, consulte @mcunicamp)

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