
O chanceler brasileiro Mauro Vieira afirmou em entrevista ao jornal argentino Clarín que a normalização das relações entre Brasil e Argentina está condicionada ao fim das “agressões verbais e recorrentes” do presidente argentino, Javier Milei, contra o Brasil e suas instituições. Essas declarações foram feitas durante a cerimônia de posse do presidente Abelardo de La Espriella, realizada em Cali, na Colômbia.
Vieira destacou a importância histórica e comercial das relações entre as duas nações, afirmando que elas transcendem as pessoas que estão no poder. Ele refutou as alegações de Milei sobre o Brasil ter financiado a campanha do candidato presidencial Sergio Massa, classificando-as como “totalmente falsas” e “invenções”. O chanceler explicou que as interações de Massa com o Brasil foram no âmbito de funções oficiais do Ministério da Economia.
Tensão com os EUA
O chanceler também abordou as crescentes tensões nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Segundo Vieira, esses conflitos aumentaram após os EUA “descumprirem a Convenção de Viena”, ao consultarem publicamente o governo brasileiro sobre seu embaixador, algo que ocorreu após um período prolongado sem representação diplomática nos EUA.
Ele revelou que, devido à demora na concessão do agrément pelo Brasil, Washington suspendeu o visto da embaixadora do Brasil como uma forma de pressão. Vieira destacou que essa situação surgiu em um contexto de comentários do Departamento de Estado sobre o sistema eleitoral brasileiro e de pedidos para visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A suspensão do visto de Maria Luiza Viotti, embaixadora nos EUA, foi interpretada como uma manobra para facilitar a aceitação do candidato do governo Trump, Daniel Perez.
Parcerias comerciais e sanções
O chanceler reiterou a postura de pragmatismo do Brasil, afirmando uma posição firme de não alinhamento automático com os EUA. Vieira defendeu que, apesar das exigências de Washington para reduzir a influência da China na região, o país asiático continua sendo o principal parceiro comercial do Brasil. Os Estados Unidos ocupam a segunda posição nesse ranking.
Além disso, ele expressou sua oposição a imposições de sanções e pressões comerciais externas, sustentando que a única solução viável é a negociação que respeite os interesses nacionais, independentemente das ideologias dos governos parceiros.











