
Kibrom Kinfe Aregawi é um pai enlutado que lamenta a morte de seu filho, levando a uma reflexão dolorosa sobre a perda e a falta de consolo. Seu filho, também chamado Kibrom, foi um dos cinco etíopes executados em junho por contrabando de maconha para a Arábia Saudita. O país do Oriente Médio, que está entre os principais executores de pena de morte no mundo, atrás apenas da China e do Irã, não devolveu os corpos dos condenados às famílias, causando um sofrimento adicional para os entes queridos.
De acordo com a Human Rights Watch, a Arábia Saudita já havia executado 116 pessoas até julho deste ano. Duaa Dhainy, pesquisadora sênior da Organização Saudita Europeia para os Direitos Humanos, comentou que a recusa de devolver os corpos dos executados prolonga a punição às famílias, algo que a relatora especial da ONU sobre liberdade de religião ou crença, Nazila Ghanea, classificou como “tortura e abuso”. Além disso, a família de Kibrom não foi notificada sobre a execução, que ocorreu em 23 de junho no centro de detenção de Khamis Mushait.
Kibrom Kinfe Aregawi havia viajado para a Arábia Saudita em 2020, mas foi deportado após 15 meses de detenção. Em meio à guerra civil na Etiópia, decidiu retornar em busca de uma vida melhor. Entretanto, ele foi novamente preso em 2023 sob a acusação de tráfico de drogas. Seu pai acredita que a condenação foi injusta, pois afirma não haver provas concretas de sua participação no crime.
A família de Tsigabu Gebremariam, outro etíope executado no mesmo dia, também vive a angústia de não poder realizar um enterro adequado. Tsigabu havia deixado sua casa em Tigray Central para trabalhar na Arábia Saudita e enviar dinheiro para a família. Sua mãe, Letechristos Gebretsadik, encontra-se desolada ao organizar um funeral simbólico, enquanto anseia por respostas sobre o corpo do filho.
A pena de morte na Arábia Saudita é frequentemente aplicada a estrangeiros, com cerca de 75% das execuções relacionadas a crimes de drogas. Investigadores alertam que redes criminosas exploram pessoas vulneráveis, convencendo-as a transportar drogas com a promessa de empregos ou aceleração na travessia de fronteiras. No entanto, as autoridades sauditas justificam as execuções como uma forma de proteger a sociedade contra os males associados às drogas, citando a legalidade de suas ações sob a lei islâmica.
Ativistas defendem que o sistema judicial saudita carece de transparência e frequentemente condena os réus sem um julgamento justo. A falta de informações sobre os processos e a recusa em devolver corpos são criticadas como violações dos direitos humanos. A BBC tentou obter uma resposta do governo saudita, mas não recebeu retorno.
Desesperados, muitos familiares de vítimas clamam por justiça e por um retorno dos corpos, mas até agora, não há registro de que corpos de migrantes executados tenham sido devolvidos às suas famílias. Este dilema gera ainda mais sofrimento entre aqueles que já perderam seus entes queridos de maneira trágica e abrupta.











