
Uma audiência pública realizada em Rondônia para discutir a Lei de Organização Básica e a Lei de Promoção da Polícia Militar tornou-se um palco de intensas discussões e confrontos verbais. O evento, promovido na Assembleia Legislativa, contou com a presença de representantes de categorias ligadas à segurança pública e políticos, revelando um clima de insatisfação generalizada.
O deputado estadual Eyder Brasil, que presidiu a audiência, ressaltou a importância de que a Comissão de Segurança fosse acionada, dada a ausência de quórum nas reuniões. “Estamos há meses sem nos reunir por falta de quórum. Os deputados não comparecem às reuniões. Por favor, acionem a Comissão de Segurança“, enfatizou o parlamentar, em um apelo que expressou a urgência da situação.
Tensões entre Políticos e Representantes de Classe
Durante as discussões, o clima esquentou com as intervenções do deputado Rodrigo Camargo, que não hesitou em criticar o governador Marcos Rocha e o comandante-geral da Polícia Militar, Regis Braguin. Camargo argumentou que ambos desconheciam os detalhes dos dois projetos de leis em pauta, mesmo afirmar o oposto em plataformas oficiais. Braguin se defendeu, alegando que os projetos visam a melhoria das condições dos policiais, um argumento que não convenceu representantes de associações de policiais que estavam presentes.
Conflito entre Jesuíno Boabaid e Rodrigo Camargo
Um dos momentos mais destacados da audiência foi a troca de farpas entre Rodrigo Camargo e o ex-deputado Jesuíno Boabaid, atual presidente da Assfapom. Durante a discussão, Camargo lembrou que Jesuíno havia aplaudido o governador Marcos Rocha na aprovação do aumento do ICMS, indicando um possível conflito de interesses. Jesuíno, por sua vez, expressou que esperava que o aumento do ICMS beneficiasse o salario dos praças, mas sentiu que foi “apunhalado” pelo governo.
Denúncias de Perseguição a Policiais
Outro ponto crítico que emergiu durante a audiência foi a alegação de que muitos policiais militares enfrentam Inquéritos Militares (IPMs) quando levantam questões sobre suas condições de trabalho e direitos. Valdecir Teixeira, um dos dirigentes de associações, relatou que ao acompanhar um colega em um IPM, ele mesmo acabou sendo alvo de investigação. Teixeira destacou que até o próprio governador foi mencionado como testemunha em alguns casos, aumentando a tensão sobre como as autoridades lidam com as reivindicações dos policiais.
Além disso, o vereador Fernando Silva de Porto Velho, também denunciou a gestão do comandante-geral, afirmando que muitos policiais são barrados em seu gabinete. Durante o debate, Fernando chegou a fazer uma acusação grave, insinuando comportamentos violentos por parte de Braguin, a qual foi rapidamente interrompida por Eyder Brasil, que buscava manter a ordem na audiência.
Resultado da Audiência e Próximos Passos
No final, a audiência pública revelou-se mais um espaço para trocas de acusações do que uma oportunidade para avançar nas discussões das leis essenciais. Os projetos de lei, que visam a reorganização e promoção da Polícia Militar, permanecem ainda sem tramitação, aguardando um cenário mais favorável na Assembleia Legislativa.
Com as tensões expostas e as vozes dos profissionais de segurança mais altas, fica evidente que a travessia para a melhoria das condições dos policiais militares de Rondônia ainda está longe de ser resolvida. O clamor por reconhecimento e respeito por parte das autoridades é uma mensagem clara que continua a ressoar.
Aaguardamos novas atualizações sobre as propostas discutidas, que são essenciais para o futuro dos policiais militares e a segurança pública no estado.
(Imagem: "Audiência Pública em Rondônia" – Crédito: Imprensa da Assembleia Legislativa de Rondônia)
*Com informações do Rondônia Agora.











