
Foto: Reprodução/Youtube – Memórias Indígenas em Rondônia e Noroeste de MT
A Universidade Federal de Rondônia (UNIR) anunciou o lançamento do documentário ‘Ki Mõyen – Nossa Língua Makurap’. Com a duração de 23 minutos, o filme busca valorizar a língua e a cultura do povo indígena Makurap, registrando memórias e narrativas que evidenciam a língua como um componente essencial da identidade cultural e ancestralidade dessa comunidade.
A realização do documentário foi um esforço colaborativo envolvendo lideranças, professores, anciãos, jovens e crianças das Terras Indígenas Rio Branco e Rio Guaporé, em Rondônia.
Essa iniciativa resulta de uma parceria entre o povo Makurap, o Coletivo Lakapoy, a Eldorado Filmes, a Associação Indígena Awanda, além da própria UNIR e da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
As gravações ocorreram em maio de 2025, durante o Encontro do Povo Makurap, que foi realizado na Aldeia Barranco Alto, dentro da Terra Indígena Rio Branco, reunindo famílias e representantes das Terras Indígenas vizinhas. O documentário foi lançado entre abril e maio de 2026, como parte da Década Internacional das Línguas Indígenas (2022–2032), uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) para promover e proteger os idiomas indígenas ao redor do mundo.
Com uma metodologia participativa, a produção garantiu a representação indígena em todas as etapas, desde a elaboração do roteiro até a definição de narrativas e imagens. A direção de fotografia ficou sob a responsabilidade de Ubiratan Gamalodtaba Suruí, que documentou a vida cotidiana, os momentos de compartilhamento de saberes e as interações entre língua, território e ancestralidade.
Valorização da Cultura Makurap
A professora Roseline Mezacasa, coordenadora do projeto na UNIR, destacou que a obra é uma ferramenta vital para o fortalecimento cultural e linguístico. O documentário apresenta as iniciativas das comunidades Makurap para preservar sua língua materna, promovendo a troca de conhecimentos entre gerações e reforçando os laços com a terra e sua memória coletiva.
“O documentário surge em um contexto de resistência cultural diante dos impactos históricos sofridos pelo povo Makurap, especialmente durante o período dos seringais. Muitas línguas indígenas foram suprimidas. Ao dar voz às experiências do povo Makurap, a produção contribui para a valorização da diversidade linguística e dos povos originários”, comentou a docente.
Além disso, a iniciativa está vinculada à pesquisa ‘Histórias da castanheira (Bertholletia excelsa), cacau (Theobroma cacao) e tucum (Astrocaryum sp.): plantas, narrativas indígenas e histórias profundas’, e ao projeto de extensão ‘História(s) Indígena(s) e redes de memórias ancestrais: a floresta, as epistemologias indígenas e a Lei 11.645’, ambos coordenados pela professora Roseline.
Selecionado pelo Edital Bolsas para Arte e Vídeo – Lei Paulo Gustavo, da Secretaria da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer de Rondônia (SEJUCEL), o documentário está disponível gratuitamente no canal do Youtube.
A obra oferece acessibilidade em Libras e uma versão com audiodescrição. Assista:
*Com informações da assessoria da Universidade Federal de Rondônia
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