Tânia Sena, ex-presidente da Coogam, se candidata a deputada federal por Rondônia e é alvo de investigação pela PF

Tânia Sena, candidata a deputada federal pelo Podemos, defende a regularização do garimpo e promete levar as demandas do setor para o Congresso. Filha de um garimpeiro e advogada, Tânia já foi presidenta da Coogam (Cooperativa dos Garimpeiros da Amazônia), que atua em Manaus e outros estados da região Norte. Em sua declaração ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), informou um patrimônio de R$ 2,48 milhões, sendo a draga de garimpo sua propriedade mais valiosa, avaliada em R$ 2 milhões. Segundo suas palavras, o garimpo legal é vital para a geração de riqueza de forma rastreada e com nota fiscal, ao contrário do garimpo ilegal.
Entretanto, a candidata também está ligada a uma investigação da Polícia Federal relacionada à extração e comercialização de ouro ilegal. Tânia foi mencionada na Operação Aerogold, que ocorreu após o fretamento de uma aeronave que fez um voo entre o Amazonas e Porto Velho, Rondônia, em novembro de 2020. Durante a operação, um passageiro foi preso com 3 kg de ouro sem registro, levando Tânia a ser indiciada por lavagem de dinheiro. Embora sua prisão temporária tenha sido revogada cinco dias depois, a investigação se desenrola com diversas acusações relacionadas à atividade garimpeira.
Além de sua ligação direta com práticas de garimpagem, a Coogam, sob a liderança anterior de Tânia, enfrenta acusações de operar um “garimpo fantasma” no rio Tapajós, conforme reportado pelo Greenpeace Brasil em agosto de 2023. A cooperativa alegou a extração de 4,5 kg de ouro na área, que supostamente não possui evidências de atividade garimpeira, de acordo com análises de imagens de satélite. O Greenpeace também destaca que a Coogam detém licenças em áreas adjacentes à Terra Indígena Munduruku, que podem impactar várias aldeias.
Adicionalmente, a Coogam já foi penalizada pelo Ibama por irregularidades em sua operação. Em 2023, a unidade da cooperativa em Itaituba foi multada em R$ 3 milhões por operar atividades que não estavam de acordo com suas licenças. Os fiscais identificaram um aumento na turbidez da água, evidenciando a potencial contaminação ambiental causada pelas atividades da cooperativa.
Tânia Sena se posiciona como uma proponente da legalidade no garimpo, mas seu passado na operaçãoc entra em conflito com seus interesses políticos. De acordo com investigações da PF, Tânia tinha um relacionamento comercial com Dirceu Santos Frederico Sobrinho, conhecido como o “rei do ouro”, também alvo da Operação Aerogold. Transferências financeiras significativas entre a candidata e a empresa dele levantam suspeitas sobre a origem de seus recursos. A candidata, por sua vez, defende que suas receitas são oriundas de atividades legais no garimpo e questiona a análise de suas movimentações financeiras.
Esta situação complexa envolve não apenas as suas atividades, mas também o futuro da regulamentação do garimpo em Rondônia e a sua relação com a preservação ambiental e os direitos das populações indígenas, destacando a necessidade de um debate amplo e transparente sobre as atividades garimpeiras na região. A Repórter Brasil buscou contato com Tânia e a Coogam para um posicionamento oficial, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.
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