
O Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou um pedido ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando a investigação de possíveis interferências estrangeiras nas eleições brasileiras de outubro, que poderiam beneficiar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A legenda requer a instauração de um inquérito pela Polícia Federal e o fortalecimento das normas que proíbem imposições estrangeiras sem amparo nas legislações nacionais.
Edinho Silva, presidente nacional do PT, afirmou que a ação visa investigar crimes de ingerência internacional na campanha e destacou a detecção de conteúdos provenientes do exterior nas redes sociais. “Estamos percebendo muitos materiais que identificamos como sendo pagos fora do Brasil. Isso é crime. Isso não é permitido”, declarou.
O pedido foi apresentado em 23 de setembro, reunindo frentes de apuração relacionadas ao financiamento por uma organização de direita americana, conteúdos reivindicados pelo PL e publicações pagas por perfis no exterior que promovem a candidatura de Flávio Bolsonaro. O objetivo é esclarecer a origem do financiamento dessas iniciativas e identificar os beneficiários.
Silva também defendeu a regulamentação das grandes empresas de tecnologia no Brasil, ressaltando a importância de entender como os algoritmos influenciam a entrega de conteúdos nas plataformas digitais. “Não sabemos por que um conteúdo engaja mais do que outro. Assim, a regulamentação das ‘big techs’ é fundamental”, afirmou.
O pedido do PT foi apresentado no contexto da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1.178, na qual o ministro Flávio Dino já havia decidido, em agosto de 2025, que atuações unilaterais de outras nações não podem impor obrigações ou restrições no Brasil, fora do que é autorizado pela legislação nacional.
A petição pede ainda uma proteção clara para as eleições, abrangendo a atuação de plataformas digitais e instituições financeiras. O documento argumenta sobre sanções direcionadas a autoridades brasileiras, pressão econômica e tentativas de desacreditar o sistema eleitoral.
Entre os itens destacados pelo PT, está a solicitação para identificar os responsáveis pelo financiamento de ao menos 11 perfis na rede social X, que entre os dias 18 e 21 de setembro teriam promovido publicidades favoráveis a Flávio sem revelar a origem dos recursos. A sigla pede informações sobre os contratantes, valores, segmentação e abrangência das campanhas realizadas no Brasil.
Até o momento, a campanha de Flávio Bolsonaro não se manifestou sobre o pedido de investigação do PT.











