
A Polícia Civil de Santa Catarina finalizou o inquérito sobre a morte do cão comunitário conhecido como “Orelha”, que ocorreu em Praia Brava, Florianópolis. O inquérito também investigou uma tentativa de afogamento do cão “Caramelo”, que sobreviveu ao ataque.
O governo estadual informou que os principais envolvidos nos dois incidentes são adolescentes. Quatro indivíduos foram apontados no caso de Caramelo, enquanto a internação de um jovem foi solicitada em relação ao episódio que resultou na morte de Orelha, em razão da gravidade do ato.
A investigação começou após uma operação no dia 26 de janeiro, sendo que Orelha foi atacado na madrugada de 4 de janeiro. Relatórios da Polícia Científica revelaram que o animal sofreu um impacto na cabeça, possivelmente causado por um chute ou um objeto contundente, como uma garrafa ou um pedaço de madeira. O cão recebeu atendimento, mas não sobreviveu.
Identificação dos envolvidos
Para identificar os responsáveis, a Polícia Civil utilizou uma força-tarefa que analisou mais de mil horas de gravações de câmeras de segurança. Testemunhas foram convocadas e um software de localização foi empregado na apuração. No total, 24 testemunhas foram ouvidas e oito adolescentes investigados.
Entenda: Polícia solicita internação de adolescente envolvido no caso
As investigações revelaram discrepâncias no depoimento do adolescente apontado como o agressor de Orelha. Imagens de segurança indicam que ele deixou um condomínio às 5h25 e retornou às 5h58, o que contraria sua versão apresentada às autoridades.
Após a identificação dos suspeitos no mesmo dia, o adolescente viajou para os Estados Unidos, retornando em 29 de janeiro. Ao chegar, foi abordado pelas autoridades, ocasião em que um familiar tentou esconder um boné e um moletom que, segundo a investigação, foram utilizados durante o crime.
Caso do cão Caramelo
Em relação ao caso de Caramelo, a polícia também apurou maus-tratos. Há indícios de que um adolescente teria levado o cão até o mar, mas ele conseguiu escapar. Quatro adolescentes foram listados como envolvidos nesse incidente.
O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, anunciou que adotou Caramelo, garantindo que o animal agora está em um ambiente seguro.
Na investigação sobre a morte de Orelha, três adultos foram indiciados por tentativas de interferir nas investigações. A análise de dados de celulares apreendidos continua e pode trazer novas evidências. Os procedimentos já foram encaminhados ao Ministério Público e ao Judiciário para que sejam tomadas as providências cabíveis.
Posicionamento da defesa
Os advogados do adolescente acusado de matar Orelha se manifestaram por meio de uma nota enviada à CNN Brasil, argumentando que as conclusões do inquérito baseiam-se em indícios que não constituem prova definitiva. A defesa questiona a veracidade de elementos relacionados às agressões, à divulgação de imagens e à relação entre possíveis evidências e as alegações de violência contra o animal.
Além disso, a defesa destacou que, no horário mencionado pela polícia, gravações mostram a presença de outros adolescentes no local dos eventos que envolvem Orelha.











