
As flutuações no preço da arroba do boi estão intimamente ligadas às decisões tomadas pelos pecuaristas. Apesar da demanda por carne permanecer estável, a oferta de animais para abate varia conforme o ciclo de produção e as escolhas dos produtores ao longo do tempo.
O Departamento Técnico da Famasul aponta que essa dinâmica é influenciada pelo intervalo biológico da pecuária, que impede reações imediatas à produção. Dessa forma, as decisões adotadas hoje afetam o mercado somente nos anos subsequentes.
Diego Guidolin, consultor em pecuária da Famasul, explica: “O ciclo pecuário ocorre porque a produção não reage no curto prazo. A retenção ou o descarte de fêmeas define a oferta futura de animais e, consequentemente, o preço da arroba.”
Baixa da arroba e aumento do abate de fêmeas
Durante a fase de baixa do ciclo, a diminuição do preço da arroba leva ao aumento do abate de fêmeas. Essa ação eleva temporariamente a oferta de animais, pressionando os preços para baixo. Ao mesmo tempo, a diminuição no número de matrizes compromete a produção de bezerros nos anos seguintes.
Esse efeito não é imediato. Normalmente, o mercado começa a sentir a escassez de oferta de reposição após cerca de 18 a 20 meses, levando em conta o período de gestação e desmame.
Menor oferta sustenta a fase de alta
Com a quantidade reduzida de bezerros, os preços dos animais de reposição tendem a aumentar. Esse aumento inicial pressiona as margens da recria e da terminação. Porém, à medida que esses animais se aproximam da idade de abate, a escassez de bovinos impulsiona a valorização da arroba.
Em decorrência do aumento dos preços, os produtores passam a reter fêmeas para a reprodução. Esta movimentação diminui o abate de matrizes e, após um novo intervalo biológico, amplia novamente a oferta de animais, provocando uma nova fase de baixa no mercado.










