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Caminhoneiros ocultam placas em pedágios e preocupam concessionárias no Brasil

Para reduzir fraudes, concessionárias ampliam uso de câmeras inteligentes

Uma prática recente entre caminhoneiros está gerando preocupações nas concessionárias e órgãos de trânsito em rodovias federais. Motoristas têm escondido parcialmente as placas dos veículos, dificultando a identificação pelas câmeras em trechos com cobrança automática de pedágio. Essa situação se agrava em Rondônia, onde a BR 364 foi concedida à iniciativa privada.

Apesar das reclamações da população, as autoridades locais não têm conseguido reverter o sistema de cobrança nem reduzir os valores das tarifas, consideradas as mais altas do Brasil.

### Crescimento das Tentativas de Evasão

Com o sistema Free Flow se consolidando como alternativa às praças tradicionais de pedágio, o número de tentativas de evasão já ultrapassa 6 milhões em rodovias federais, conforme dados do setor. Além de manobras conhecidas em cabines de pedágio, como passar sem pagar, motoristas têm utilizado a ocultação das placas para evitar a cobrança por meio da leitura eletrônica.

Uma das técnicas mais discutidas envolve deslocar o degrau da grade frontal de caminhões para cobrir a placa. Essa manobra compromete a identificação do veículo, dificultando a emissão da cobrança automática e a aplicação de penalidades por evasão.

### Infrações e Penalidades

Circular com a placa encoberta infringe a legislação de trânsito e pode resultar em autuações. De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, a evasão de pedágio é considerada uma infração grave, penalizada com multa de R$ 195,23 e adição de cinco pontos à Carteira Nacional de Habilitação. A prática de ocultação pode dificultar a responsabilização do condutor e não exclui a obrigação de pagamento do pedágio.

### Medidas de Fiscalização

Para combater as fraudes, concessionárias têm investido em tecnologia como câmeras inteligentes e sistemas de monitoramento automático. A Arteris, que administra diversas rodovias no Sul e Sudeste, utiliza monitoramento eletrônico para registrar veículos que não pagam a tarifa. Essa tecnologia facilita a identificação de reincidências, especialmente em trajetos com grande fluxo de caminhões.

Dados fornecidos pela Arteris mostram uma redução de 11,25% nas evasões em novembro de 2025, em comparação ao mesmo mês do ano anterior. Mesmo em dezembro, com o aumento do tráfego, a evasão caiu em 6,6%.

### Debate sobre o Sistema Free Flow

O sistema Free Flow começou a operar no Brasil em março de 2023, visando melhorar o fluxo de tráfego e eliminar filas em praças de pedágio. Entretanto, novas dúvidas surgiram em relação a prazos de pagamento e aplicações de multas.

Em abril de 2026, o governo federal anunciou a suspensão de 3,4 milhões de multas relacionadas ao não pagamento de tarifas, disponibilizando um prazo de 200 dias para os motoristas regularizarem suas dívidas sem penalidades.

### Evasões em Aumento

A expansão das cabines automáticas e pórticos eletrônicos tem tornado a correta identificação das placas fundamental para garantir o pagamento das tarifas. Com a ausência de praças físicas, esconder a placa se tornou uma estratégia comum entre motoristas que tentam burlar o sistema. Estimativas apontam que as evasões em rodovias federais cresceram de 3,9 milhões para mais de 6 milhões nos últimos três anos.

Esse aumento reforça a urgência para que as concessionárias e órgãos responsáveis aprimorem suas práticas de fiscalização. Os motoristas também buscam mais clareza sobre os canais de pagamento e prazos, especialmente em um cenário de aumento de golpes relacionados ao pedágio eletrônico.

### Combate às Fraudes

O debate sobre o Free Flow envolve a necessidade de garantir a cobrança adequada das tarifas enquanto se evita punições sem fundamento. Para que o sistema funcione, é essencial registrar corretamente a passagem dos veículos e disponibilizar meios acessíveis para quitação das tarifas.

Quando motoristas alteram placas ou utilizam componentes do veículo para obstruir a leitura, isso configura uma infração e pode gerar punição. Com o avanço da tecnologia, espera-se que a capacidade de detecção e fiscalização aumente, embora isso dependa da colaboração entre concessionárias, órgãos autuadores e canais de atendimento.

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