
Um estudo prolongado em Querência, Mato Grosso, revela novas perspectivas sobre a regeneração da Amazônia. Publicado em 28 de abril de 2026 pelo News Rondônia, o trabalho de 22 anos de monitoramento descarta a teoria da savanização, que previa a substituição da floresta por gramíneas e arbustos. Os pesquisadores perceberam que, após danos por queimadas e secas intensas, a floresta é capaz de se restabelecer, mantendo sua essência original.
Leandro Maracahipes, biólogo da Universidade de Yale e coautor do estudo, indica que a resiliência da floresta é maior do que se imaginava. Contudo, ele alerta que essa recuperação não pode ocorrer sem um gerenciamento adequado, que inclui a interrupção dos ciclos de incêndios e a preservação de áreas florestais adjacentes. Estas áreas próximas atuam como fontes de sementes, essenciais para a regeneração.
Impactos do fogo e recuperação do dossel
Iniciada em 2004, a pesquisa cobre uma área de 150 hectares, onde diferentes frequências de queimadas foram testadas. Durante os primeiros anos, as áreas mais afetadas apresentaram uma queda de até 46,2% na riqueza de espécies. No entanto, desde o fim das queimadas em 2010, a floresta começou a fechar o dossel, diminuindo a presença de gramíneas invasoras de 100% para 10% nas áreas recentes.
Mesmo com a aparência de floresta, a biodiversidade atual ainda não é equivalente à original. O estudo observa que a recuperação da biodiversidade varia entre 31,3% e 50,8% em comparação com a situação prévia aos distúrbios. Além disso, a nova vegetação tem características que a tornam mais suscetível, como árvores de casca fina e madeira de baixa densidade, que são menos resistentes a novos incêndios e tempestades severas.
Da degradação à restauração
As mudanças climáticas exacerbam a vulnerabilidade da floresta em regeneração, com secas cada vez mais rigorosas. Embora as espécies nativas consigam manter a umidade, a restauração de áreas degradadas em larga escala é crucial para a manutenção dos ciclos hídricos na região. A pesquisa reforça a ideia de que a Amazônia tem potencial para se recuperar, desde que existam estratégias de manejo apropriadas e uma proteção rigorosa.
Maracahipes argumenta que a região, antes rotulada como parte do “Arco do Desmatamento”, agora pode ser vista sob a ótica do “Arco da Restauração”. Essa nova visão se baseia na capacidade natural da floresta de regenerar-se, oferecendo um modelo promissor para políticas de conservação que priorizem a sucessão natural e o fim de atividades prejudiciais.










