
O mês de setembro é marcado pela campanha Setembro Amarelo, que visa intensificar o debate sobre a prevenção do suicídio. Apesar do aumento da conscientização, um grande desafio persiste: muitas pessoas que enfrentam angústias emocionais intensas não conseguem comunicar suas dificuldades.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 720 mil pessoas sucumbem ao suicídio anualmente em todo o mundo. A taxa de suicídio é especialmente preocupante entre jovens com idades entre 15 a 29 anos. Um estudo da Universidade Estadual de Campinas, disponível no site do Centro de Valorização da Vida, revela que 17% da população brasileira já considerou encerrar a própria vida, sendo que 4,8% desses indivíduos chegou a elaborar um plano.
A psicóloga Dra. Cristiane Pertusi destaca que um dos principais entraves à prevenção do suicídio é a crença de que o sofrimento é sempre manifesto. “As pessoas geralmente acreditam que quem sofre externamente expressa isso de forma evidente. Contudo, muitos conseguem manter suas rotinas e compromissos apesar de enfrentar crises significativas”, explica.
O estigma em relação à busca por ajuda é outro fator que complica a situação. Dra. Cristiane observa que muitos associam a necessidade de apoio à fraqueza, acreditando que deveriam conseguir resolver seus problemas sozinhos, o que pode agravar o isolamento em momentos de vulnerabilidade.
O apoio social desempenha um papel crucial na saúde mental. De acordo com a especialista, rupturas em relacionamentos ou conflitos familiares podem aumentar a fragilidade emocional. Em contrapartida, laços significativos podem servir como proteção durante períodos de crise. “A presença de alguém que escuta e apoia pode abrir novas perspectivas e possibilidades”, ressalta.
Além de reconhecer sinais de sofrimento, a Dra. Cristiane enfatiza a importância de perguntar a quem a pessoa pode recorrer em momentos de necessidade. “A experiência de pertencimento é essencial para a prevenção do suicídio”, acrescenta.
Como Oferecer Apoio
Diante de mudanças significativas no comportamento de alguém, as seguintes estratégias podem ser úteis:
1. Aproxime-se e escute
Crie um ambiente onde a pessoa se sinta à vontade para compartilhar seu sofrimento.
2. Leve o sofrimento a sério
Evite minimizar a dor do outro, pois isso pode aumentar a sensação de incompreensão.
3. Ajude de forma concreta
Auxilie na busca por profissionais ou serviços de apoio, facilitando o processo de solicitar ajuda.
4. Observe situações de risco
Se houver risco imediato, o ideal é permanecer com a pessoa e procurar assistência de emergência.
Dra. Cristiane complementa que o conhecimento sobre saúde mental deve transcender o Setembro Amarelo. “Informação adequada é vital. A capacidade de buscar ajuda e encontrar alguém disposto a ouvir pode ser vital para salvar vidas”, conclui.
Esses insights revelam a complexidade do sofrimento humano e a necessidade de estratégias efetivas de apoio, ressaltando a urgência de promover diálogos abertos sobre saúde mental.











