
A prisão na Bolívia do consultor argentino Fernando Cerimedo, associado à extrema direita latino-americana, gera uma crise com implicações políticas abrangentes. A detenção ocorreu após um atentado a tiros contra sua ex-companheira, Nadia Beller, que afirmou possuir gravações em que Cerimedo relataria corrupção no governo de Javier Milei. Um dos escândalos mencionados nas gravações é o dos supostos “3% para Karina”, que envolvem Karina Milei, irmã do presidente argentino.
Conforme informações publicadas pelo jornal argentino Página/12, Beller declarou que Cerimedo frequentemente discutia corrupção durante seu relacionamento, e ela está disposta a entregar as gravações à Justiça argentina. A revelação é somada à notável trajetória de Cerimedo, que trabalhou na campanha de Milei, interagiu com o bolsonarismo no Brasil e assessorou o presidente boliviano Rodrigo Paz.
A detenção de Cerimedo, ocorrida no aeroporto internacional de Viru Viru, acontecia horas após o ataque a Beller, que sobreviveu a três disparos. A Promotoria boliviana o acusa de tentativa de feminicídio e pediu sua prisão preventiva, enquanto Cerimedo nega as acusações, defendendo que Beller teria armado um “autoatentado”.
As alegações de Beller sobre a corrupção no governo Milei aumentaram a gravidade do caso. Ela afirmou que Cerimedo descreveria o governo como “uma panela de pressão repleta de corrupção”, referindo-se principalmente a Karina Milei, secretária-geral da Presidência. De acordo com Beller, Cerimedo também esteve envolvido em vazamentos que originaram um escândalo político no governo, com gravações ligadas a propinas na compra de medicamentos.
A deputada argentina Marcela Pagano requisitou que Beller seja ouvida na investigação, que já inclui ex-funcionários e empresários acusados de corrupção e fraude. A situação é complexa, visto que Cerimedo, além de sua atuação política, teve destaque controverso no Brasil, onde foi um dos divulgadores de alegações de fraude nas urnas eletrônicas durante as eleições de 2022.
Ao longo daquela eleição, Cerimedo conduziu uma transmissão que afirmava que “o Brasil foi roubado”, com teorias que foram refutadas pela Justiça Eleitoral. A Polícia Federal identificou sua atuação como parte de um grupo que tentou desacreditar o resultado eleitoral.
No contexto das suas ligações políticas, Cerimedo teve contato direto com Eduardo Bolsonaro durante a campanha de 2022, participando da organização de encontros entre o deputado e lideranças argentinas. Durante sua carreira, ele se tornou um exemplo de como consultores políticos podem influenciar as estruturas de poder sem ocupar cargos oficiais.
Na Bolívia, Cerimedo trabalhou como consultor para o presidente Rodrigo Paz, e sua prisão levanta questões sobre sua conexão com o governo e as implicações políticas que podem surgir na região. As investigações em torno do atentado e as gravações mencionadas por Beller podem impactar diversos aspectos da política sul-americana.
As alegações de corrupção no governo Milei ocorrem em um momento crítico para a Argentina, que atravessa dificuldades econômicas. As investigações relacionadas aos supostos pagamentos de propina na agência de saúde Andis se inserem em um quadro de crescente tensão social e insegurança alimentar, destacando as complexidades do ambiente político atual.
A prisão de Cerimedo, que conecta Brasil, Argentina e Bolívia, poderá ter um impacto maior na política latino-americana, dependendo do resultado das investigações em curso e do conteúdo das gravações. A situação continua a evoluir, com possíveis consequências que poderão se estender além das fronteiras da Bolívia.











