
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conferiu, de forma honorífica e post mortem, o título de marechal ao brigadeiro Antônio de Sampaio, um destacado militar da Guerra do Paraguai. A decisão foi oficialmente anunciada no Diário Oficial da União em 30 de julho de 2026, conforme informações publicadas pelo Poder 360.
A promoção surge em um momento de tensão diplomática, ocasionado por uma declaração de Lula sobre a Guerra do Paraguai, a qual resultou em reações adversas por parte de autoridades paraguaias e uma nota de repúdio formal do país.
ANTÔNIO DE SAMPAIO E A GUERRA DO PARAGUAI
Antônio de Sampaio teve um papel crucial na Guerra do Paraguai, atuando como inspetor da Infantaria. Ele sofreu três ferimentos graves na Batalha de Tuiuti, o principal confronto da guerra, e faleceu cerca de 43 dias depois, no navio-hospital Eponina, durante a sua transferência para Buenos Aires, aos 56 anos.
Nascido em 24 de maio de 1810, em Tamboril, Ceará, Sampaio ingressou no Exército em 1830. A data de seu nascimento é celebrada como o Dia da Infantaria do Exército Brasileiro. Em 1928, a proposta de torná-lo patrono da Infantaria foi apresentada pelo então 1º tenente Humberto de Alencar Castelo Branco e oficializada em 1962.
TENSÃO NA DIPLOMACIA BRASIL-PARAGUAI
No dia 24 de julho, durante uma visita à fábrica da Avibras Aeroco em Jacareí (SP), Lula defendeu um aumento nos investimentos nas Forças Armadas brasileiras e afirmou que o Brasil havia sido “invadido” pelo Paraguai.
Ele comentou: “Qualquer dia um ou outro resolve invadir o Brasil. O Paraguai um dia invadiu o Brasil, a Argentina e o Uruguai. Para fazer coisa boa, o cara tem que pensar, mas para fazer loucura, o cara não precisa pensar.”
Essas declarações foram interpretadas como uma distorção da história e levaram a críticas de autoridades paraguaias. Na quarta-feira (29.jul), presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados do Paraguai divulgaram uma nota conjunta de repúdio, afirmando que as falas de Lula “ferem a memória histórica” do país e pedindo que as relações entre Brasil e Paraguai sejam mantidas com respeito e diálogo.
No dia 30 de julho, o chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, informou que o presidente paraguaio, Santiago Peña, havia conversado com Lula por telefone, e o governo paraguaio convocou o embaixador brasileiro para prestar esclarecimentos.
Na sexta-feira (31.jul), o embaixador brasileiro se reuniu com o vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, e representantes do Ministério das Relações Exteriores, onde recebeu uma nota oficial de reprovação às declarações de Lula sobre a guerra.
A GUERRA DO PARAGUAI
O conflito, que ocorreu entre 1864 e 1870, é considerado o maior e mais sangrento da história da América do Sul. As causas da guerra são debatidas, mas incluem disputas territoriais e a influência política na Bacia do Prata, além da intervenção do Brasil na guerra civil uruguaia.
A Guerra do Paraguai é um tema sensível, especialmente para o Paraguai, onde mais da metade da população masculina morreu, resultando em um desequilíbrio demográfico que afetou o desenvolvimento do país nas décadas seguintes.











