
Segundo informações publicadas pelo Estadão, o general Carlos Eduardo Barbosa da Costa, comandante do Centro de Inteligência do Exército (CIE), apresentou uma análise crítica sobre o crime organizado no Brasil. Durante sua fala para uma plateia de oficiais, ele destacou o papel do país como um entreposto logístico no tráfico de drogas, cercado por três dos maiores produtores de cocaína do mundo: Colômbia, Peru e Bolívia, além do Paraguai, principal produtor de maconha.
De acordo com o general Costa, o crime organizado movimenta cerca de R$ 30 bilhões anuais apenas no mercado interno, além de mais R$ 50 bilhões oriundos da exportação de cocaína. Facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) possuem conexões diretas com cartéis internacionais e com o Tren de Aragua, na Venezuela.
Ameaças à Segurança Cibernética
No mesmo informe, o general também abordou a “guerra híbrida” que o Brasil enfrenta, especialmente em relação às ameaças cibernéticas. Em 2025, o CIE registrou mais de 754 bilhões de tentativas de invasão a sistemas brasileiros, evidenciando a vulnerabilidade das instituições que não estão adequadamente preparadas para lidar com problemas dessa natureza. O vazamento de 3,39 terabytes de dados da Dígitro Tecnologia, uma fornecedora crucial de sistemas de segurança, ilustra a fragilidade do ambiente digital no país.
A Urgência de Uma Ação Conjunta
A análise do general Costa não é isolada. O Brasil já dispõe de diversos diagnósticos sobre o crime organizado, provenientes de relatórios de inteligência e estudos acadêmicos. Contudo, a preocupação maior é a falta de ação efetiva diante dessa grave realidade. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que prometia ferramentas mais eficazes para o combate ao crime, encontra-se paralisada no Senado, condicionada a interesses políticos.
Responsabilidade das Autoridades
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve tratar a segurança pública com a seriedade necessária. A violência urbana é uma das principais preocupações dos brasileiros e deve ser um tema central na sua campanha para reeleição. Ignorar a questão em favor de interesses próprios é irresponsável.
A Política de Estado no Combate ao Crime Organizado
O enfrentamento ao crime organizado precisa ser uma política de Estado contínua, não apenas uma agenda para momentos de crise. Organizações como o PCC são resultados de anos de omissões por parte do Estado, que agora necessita se unir para a erradicação deste problema. O papel das Forças Armadas é proteger a soberania nacional, mas o combate direto ao crime deve ser uma tarefa das polícias e órgãos de segurança pública.
É imperativo que as autoridades atuem de forma coordenada, evidenciando que não há organização criminosa mais poderosa do que o Estado. A hora de agir é agora, antes que a situação se agrave ainda mais.











