
Economia – 22 de março de 2026 – 12:36
O banco Digimais, controlado por Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, enfrenta uma grave crise financeira, com um rombo estimado em R$ 8,5 bilhões. Esta situação levantou preocupações entre o Banco Central e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), especialmente após a liquidação do Banco Master em novembro de 2025.
Problemas de Governança e Práticas Questionáveis
Conforme noticiado pelo Termômetro da Política, o Digimais adota práticas que lembram as do Banco Master, inflando artificialmente seu patrimônio para emitir Certificados de Depósito Bancário (CDBs). O banco oferece taxas atraentes, como 125% do CDI, utilizando a garantia do FGC como um atrativo para seus clientes. Além disso, a corretora ID, que gerencia os fundos do Digimais, é composta por ex-executivos do Banco Master.
Irregularidades e Fraudes
Dentre as irregularidades relatadas, destaca-se a venda de carteiras de crédito fraudulentas, similar àquelas que levaram à falência do Banco Master. Um caso específico envolve o fundo EXP1, que pagou R$ 650 milhões por carteiras de crédito consignado do Digimais. Uma auditora internacional identificou que 22 mil dos 55 mil contratos eram falsos, totalizando R$ 500 milhões sem lastro.
Desafios de Auditoria e Gestão
O banco já trocou de auditoria três vezes em 2024, tentando eliminar ressalvas que apontavam problemas significativos. Fundos de risco elevado, como Alpha, Omega e outros, têm ativos não auditados e uma concentração excessiva em poucas empresas. A gestão do banco também passou por mudanças; Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, assumiu o cargo principal após exigências do Banco Central.
Intervenções e Futuro Incerto
O Banco Central exigiu um aporte de R$ 250 milhões para reforçar o caixa do Digimais, porém, Edir Macedo retirou R$ 2 bilhões que estavam investidos no banco, agravando ainda mais a situação. Embora o BC tenha tentado intervir, as negociações para venda do Digimais não avançaram.
Reação do Banco
Em resposta a essas dificuldades, o Digimais divulgou uma nota afirmando estar focado no fortalecimento patrimonial e na reestruturação de passivos de longo prazo, visando garantir sua sustentabilidade operacional.
Com informações da revista Piauí.











