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A história das bocas-de-som em Porto Velho e a nostalgia do serviço “Voz da Cidade”

A recente campanha publicitária de uma empresa nacional de combustíveis evocou memórias nostálgicas ao retratar um agricultor respondendo a um turista sobre onde encontrar produtos, sempre mencionando o “Posto Ipiranga”. Esta referência cultural reflete o papel decisivo das “bocas-de-som” na disseminação de informações, especialmente em Porto Velho, onde a comunicação via alto-falantes se tornou um ícone local.

Essas bocas-de-som, geralmente consistindo em quatro cornetas, cumpriam uma função vital na vida cotidiana, trazendo notícias sobre chegadas e partidas, eventos corriqueiros e até informações do mundo. O serviço de alto-falantes que se destacava entre as diversas formas de comunicação na cidade era a “Voz da Cidade”, liderada por Humberto Amorim por mais de três décadas. Este sistema, que operou até a década de 1980, se tornou uma referência na história da comunicação local.

Além de informar, esses anúncios frequentemente criavam laços emocionais entre os moradores, como evidenciado por uma aposentada que relembrou seu primeiro namorado, um locutor de rádio cipó no Mercado Modelo, o mais antigo de Vila Rondônia, fundado em 1971. Histórias como a dela são comuns quando se menciona o impacto duradouro desses serviços de comunicação na vida dos cidadãos.

Os relatos sobre a “Voz da Cidade” e outras iniciativas como a do locutor Waldemar Lemos em Guajará-Mirim refletem uma conexão íntima entre a população e esses meios de comunicação. Uma ex-procuradora-geral de Rondônia, Aliethy Morhy, recordou que enquanto degustava tacacá, o alto-falante anunciou a morte de um conhecido, um momento que mesclou surpresa e um toque de ironia sobre o tempo de vida.

Mesmo histórias de desilusão surgem a partir desses locais de anúncio, como no caso de uma estudante que se decepcionou ao conhecer o locutor que admirava desde os tempos de sua juventude. Tais narrativas revelam a vida pulsante de uma comunidade que moldou suas tradições de acordo com as mensurações transmitidas.

Os serviços de alto-falantes em Rondônia não foram apenas meios de comunicação, mas plataformas que moldaram a memória coletiva da população, sendo uma parte essencial da história social e cultural do estado.

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