
Nascida em 1943 na zona norte de São Paulo, no bairro do Carandiru, Wanda enfrentou dificuldades financeiras que levaram sua família a se mudar para Ribeirão Preto e Campinas. Sua trajetória como petroleira começou com a inauguração da Replan (Refinaria de Paulínia) em 1972, onde atuou até sua aposentadoria em 1992.
Uma Luta Incessante
Conti foi uma figura central em movimentos sindicais, participando da greve de 1978 e da fundação do Sindicato dos Petroleiros de Paulínia e do Partido dos Trabalhadores (PT). Sua coragem ficou evidente na greve histórica de 1983, que desafiou a ditadura militar. Wanda foi presa no Dops (Departamento de Ordem Política e Social), mas nunca se deixou intimidar, contribuindo para o surgimento de um novo sindicalismo no Brasil.
Um Legado de Alegria e Inclusão
Ronaldo Hipólito Soares, colega de Wanda, descreveu-a como alguém que equilibrava opostos: “Temperamento forte, mas terno; ácido, mas de elogios generosos”. Para Conti, a militância deveria ser acompanhada de alegria, pois “quando o papo fica leve, as pessoas criam laços”.
Atuação na Luta pelos Direitos das Mulheres
Wanda também se destacou na luta contra o machismo. Ela almejava um futuro em que as mulheres conquistassem seu espaço e fossem reconhecidas como “pessoas dignas de direitos e prazeres”. Chamava a atenção para o aumento do feminicídio, classificando-o como um “cancro” resultante da falta de aceitação da autonomia feminina pela sociedade.
Contribuições na Igreja e Reconhecimento Póstumo
Além de sua atuação nas refinarias, Wanda foi ativa na Igreja Católica, ajudando a fundar a Regional Sul 1 do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), impulsionando a participação dos leigos na Arquidiocese de Campinas. Cibele Vieira, atual coordenadora da Federação Única dos Petroleiros (FUP), lembrou como Wanda enfrentou desafios dentro do sindicato, onde a expectativa sobre seu papel era reduzida a fazer “cafezinho”.
No dia de seu velório, em 14 de abril, centenas de amigos e companheiros prestaram homenagens. Ela foi também lembrada no 1º de Maio, quando uma sala no Centro Cultural Esperança Vermelha, em Campinas, recebeu seu nome. Wanda Conti deixou uma irmã e três sobrinhas, mas seu espírito de luta e dignidade permanecerá vivo entre aqueles que acreditam na justiça social.











