
Um vagão ferroviário que sobreviveu a um incêndio no interior de Minas Gerais foi restaurado por uma associação dedicada à preservação do patrimônio ferroviário em Campinas, SP. A recuperação do carro de passageiros, fabricado em 1973 e que já atuou na Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA), foi finalizada e ele voltou a operar no último final de semana na linha turística entre Campinas e Jaguariúna, sob a gestão da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF).
O vagão, que foi produzido nas oficinas da RFFSA em Divinópolis (MG), teve sua última atividade em operação há cerca de trinta anos, realizado viagens entre Barra Mansa e Lavras. Desde então, passou por diversas etapas, incluindo um período de abandono após ser cedido à Prefeitura de Pouso Alegre, que o utilizou em um trem turístico. O incêndio que destruiu parte do acervo foi o principal responsável pelo seu estado crítico, após anos sem suporte adequado.
De acordo com informações publicadas pela Folha de S.Paulo, o resgate do vagão ocorreu em 2018, com a intenção inicial de restaurá-lo em um ano. No entanto, a pandemia de Covid-19 impactou as atividades da ABPF, além de pressionar a associação a priorizar outras demandas que surgiram. O restauro só foi concluído neste ano, tornando o vagão um símbolo para os entusiastas do transporte ferroviário.
Reconhecimento e Celebração
No último sábado (1), o vagão foi utilizado em uma das viagens turísticas, comemorando seu retorno às operações. Membros da ABPF celebraram a importância do carro de passageiros no acervo, por ser um dos mais novos e visualmente distinto. Hélio Gazetta Filho, diretor administrativo da ABPF, apontou que embora seja considerado “novo”, o vagão chegou em um estado muito crítico.
Retorno às Raízes
Adicionalmente, o retorno do vagão à ABPF é significativo, pois ele foi cedido para uso em solo mineiro após estar em plenitude de condições operacionais. Infelizmente, ao retornar, o estado do vagão se assemelhava ao de sucata, após duas décadas fora das mãos da associação, o que se tornou uma realidade comum no histórico ferroviário do Brasil.
O vagão, originalmente considerado de segunda classe, também foi parte da extinta Viação Férrea do Centro-Oeste. Apesar dos desafios enfrentados na restauração, este projeto é crucial para a ABPF, uma vez que o carro é o primeiro fabricado pela própria RFFSA a integrar seu acervo.
Além deste vagão, a associação abriga várias máquinas de grandes companhias ferroviárias que marcaram a história do transporte no Brasil. Embora outros carros tenham sido perdidos no incêndio em Pouso Alegre, partes como eixos foram resgatadas e levadas para a oficina da ABPF, garantindo assim a continuidade da preservação ferroviária.











