
A Ucrânia está em uma corrida urgente para desenvolver interceptadores que possam neutralizar uma nova geração de drones a jato russos, que têm causado danos significativos em diversas regiões do país nos últimos meses. Esses drones, junto com as armas balísticas russas e novos mísseis de cruzeiro, têm sido responsáveis por atingir alvos importantes em Kiev e arredores.
Os drones a jato, identificados como Geran-4 e Geran-5, apresentam um desafio maior de interceptação devido à sua velocidade e frequência de uso. Eles são reportados como três vezes mais rápidos do que os modelos originais Shahed adquiridos pelo Kremlin do Irã.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou que os ataques aéreos são constantes, com cerca de 1.500 drones lançados contra a Ucrânia nos últimos dias, muitos deles dos modernos modelos a jato. Em julho, aproximadamente 1.500 desses drones foram utilizados, enquanto em agosto, esse número ultrapassou 2.500, conforme informou Serhiy Beskrestnov, assessor de Zelensky.
Estudos de inteligência indicam que os drones a jato incorporam componentes estrangeiros, incluindo de fabricantes dos Estados Unidos, Reino Unido e China. Esses drones têm sido direcionados em grande parte contra a capital, Kiev, com a Rússia intensificando os bombardeios durante o dia e a noite. No último relatório militar, foram lançados 224 drones ao todo, sendo a maioria do tipo a jato.
O Kremlin visa não apenas drenar as defesas aéreas ucranianas, mas também desestabilizar a moral da população civil, ampliando seus alvos para armazéns e infraestruturas essenciais. “Estamos enfrentando um plano que busca paralisar a vida econômica nas cidades; nossa estratégia de resposta precisa ser adaptada”, afirmou o primeiro-ministro Serhii Koretskyi.
Desenvolvimento de Interceptadores
Atualmente, a defesa contra os drones a jato ucranianos é realizada predominantemente por caças, uma estratégia que se revela cara e limitada. Zelensky ressaltou que há um esforço por parte de várias empresas para desenvolver interceptadores inovadores que atendam às necessidades imediatas do país em conflito. Testes com quatro modelos diferentes já estão em andamento, com a expectativa de produção em larga escala.
Entre os projetos, destaca-se um interceptador ucraniano chamado “Sting”, que conseguiu derrubar dois drones a jato recentemente. Além disso, outra empresa do país, a F-Drones, apresentou um modelo atualizado denominado LITAVR+, que opera a velocidades superiores a 400 km/h.
Ameaças em Andamento
Em paralelo, a Rússia desenvolveu um novo míssil de cruzeiro denominado “Banderol”, que se destina a atacar alvos no corredor marítimo da Ucrânia. Com um alcance declarado de até 500 quilômetros, esse míssil representa uma nova ameaça às operações de exportação de grãos da Ucrânia, principalmente na região de Odessa, onde os ataques recientes têm dificultado as exportações.
Desde o início de agosto, a Ucrânia exportou 1,4 milhão de toneladas de grãos, um volume consideravelmente inferior ao potencial. O porta-voz da Marinha ucraniana destacou que a utilização do míssil Banderol tem causado um aumento dos custos de transporte devido aos riscos associados. Analistas sugerem que essa nova arma pode ser lançada a partir de diferentes plataformas, inclusive drones e helicópteros.
As informações foram destacadas pela CNN Brasil.











