A chefe do governo dinamarquês ressaltou que seu país é parte integrante da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e goza de garantias de segurança por meio da aliança militar. “Já temos um acordo de defesa entre o Reino e os Estados Unidos, que concede aos EUA amplo acesso à Groenlândia”, acrescentou, pedindo o término das ameaças.
“Insisto veementemente para que os EUA cessem as ameaças contra um aliado histórico e contra outro país e outro povo que já deixaram claro que não estão à venda”, finalizou.
Jens Frederik Nielsen, primeiro-ministro da Groenlândia, também expressou sua desaprovação em relação às declarações de Trump, considerando-as inaceitáveis. Ele comentou que a retórica de Trump sobre a Groenlândia e a ligação com intervenções militares é desrespeitosa. “Nosso país não é objeto de retórica de superpotência”, disse.
Durante uma entrevista à revista The Atlantic, Trump justificou sua posição afirmando que a Groenlândia é necessária à segurança nacional dos EUA. “Precisamos da Groenlândia para nossa segurança nacional. Se você olhar para a Groenlândia, tem navios russos e chineses por todas as partes”, destacou o presidente americano.
As ameaças de anexação, que remontam ao início do governo Trump, foram condenadas por outros líderes europeus. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, reiterou que a decisão sobre o futuro da Groenlândia deve caber somente à Dinamarca e à população local.
“A Dinamarca é uma aliada próxima na Europa, é uma aliada da OTAN e é fundamental que o futuro da Groenlândia seja determinado pelo Reino da Dinamarca e pela Groenlândia”, disse Starmer à BBC.
O cientista político Ali Ramos, especialista em questões do Ártico, ressaltou que o derretimento das calotas polares pode facilitar o comércio entre a Ásia e a Europa, impactando as estratégias de segurança e comércio internacionais. “Rússia tem mais que o dobro de bases da OTAN no Ártico e a China considera-se uma nação com interesses no entorno do Ártico”, apontou.
Colômbia
Além de suas declarações sobre a Groenlândia, Trump comentou sobre uma possível ação militar na Colômbia, criticando o governo do presidente Gustavo Petro. Ele afirmou que a Colômbia “está muito doente” e acusou Petro de estar envolvido com o narcotráfico, reforçando que tal situação não pode continuar.
“A Colômbia também está muito doente, administrada por um homem doente, que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos EUA”, disse Trump a jornalistas.
Gustavo Petro rebatou as alegações, negando qualquer vínculo com o narcotráfico e defendendo sua legitimidade como líder. “Não sou ilegítimo, nem traficante de drogas; meu único bem é a casa da minha família, que ainda pago com meu salário”, comentou, pedindo ao povo colombiano para resistir a qualquer ato de violência indebido.
“A forma de me defender é tomar o poder em cada município do país. A ordem para as forças de segurança não é atirar contra o povo, mas sim contra os invasores”, concluiu.
*Matéria ampliada às 15h44 para inclusão de posicionamento do cientista político Ali Ramos.











