
A disputa entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) pelo Governo de São Paulo promete ser ainda mais acirrada que a de 2022, quando o governador atual foi eleito. Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, aliados de ambos os pré-candidatos acreditam que as campanhas se concentrarão nas próprias gestões e nas polêmicas associadas a cada um.
Diferente da eleição anterior, que teve um forte caráter nacional, impulsionado pela polarização entre os apoiadores de Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL), a atual disputa exigirá que Tarcísio e Haddad defendam suas administrações no estado e no Ministério da Fazenda, respectivamente. Recentemente, Haddad intensificou suas críticas ao governador, e este respondeu com descontentamento.
Na última sexta-feira (13), em uma entrevista ao site Opera Mundi, Haddad confirmou sua intenção de participar do pleito, embora não tenha explicitado se concorrerá ao governo estadual. Já seus apoiadores tentam suavizar o clima de rivalidade, enfatizando que as campanhas continuarão a ser propositivas e focadas em soluções para os problemas do estado.
Críticas e Confrontos
Durante uma entrevista ao Flow Podcast em 27 de fevereiro, Haddad mencionou Tarcísio ao discutir a carga tributária, questionando a decisão do governador de cobrar ICMS da Shopee. Essa citação se relaciona à polêmica criada pela imposição da “taxa das blusinhas”, que introduziu um imposto de 20% para compras internacionais de baixo valor, uma medida criticada por Haddad.
Em 3 de março, Haddad abordou a insatisfação de grupos como a educação e a polícia com o governo de Tarcísio, destacando a suposta blindagem que o governador teria recebido da mídia, o que limitou críticas ao seu governo.
Em resposta, Tarcísio, em evento recente no Metrô de São Paulo, também criticou as alegações do ministro. Ele questionou a percepção de “blindagem” e voltou a reafirmar que as críticas de Haddad são previsíveis e fazem parte do jogo político. Um aliado do governador sugeriu que as críticas de Haddad devem ser compreendidas dentro do contexto político e não como ataques pessoais.
Cenário Atual e Projeções
Com as experiências documentadas das gestões dos dois candidatos, a próxima campanha promete ser mais crítica. Um deputado estadual aliado de Haddad enfatizou que as críticas a Tarcísio serão mais relevantes agora, uma vez que há exemplos concretos a serem discutidos. Contudo, alinhamentos políticos e questões nacionais continuarão a ser relevantes no cenário eleitoral, especialmente considerando as cifras de intenções de voto publicadas pelo Datafolha, que indicam 44% para Tarcísio e 31% para Haddad em simulações de primeiro turno.
Na visão de alguns analistas, o papel de Haddad na disputa será também garantir maior apoio a Lula em São Paulo. A pesquisa recentemente divulgada demonstra a importância da polarização nas campanhas de ambos os lados, mesmo que suas gestões individuais sejam o foco principal.
A campanha de 2022, embora marcada pela polarização, também incluiu trocas significativas de críticas entre Haddad e Tarcísio, refletindo um embate nas áreas de saúde e educação, que ainda ressoam no atual debate político. No entanto, houve um breve período de cooperação entre os dois após o término das eleições, que culminou em uma aparente reconciliação em discussões tributárias em junho de 2023.











