
A morte do funcionário não foi um caso isolado. O questionamento sobre a gestão do Sesc, que possui unidades em várias cidades como Campinas, São Caetano do Sul e Bertioga, divulga relatos de ex-trabalhadores que fazem denúncias de práticas abusivas. Uma ex-funcionária que trabalhou em Campinas entre 2015 e 2023, por exemplo, reportou ter sofrido assédio moral e sexual, levando-a a desenvolver síndrome do pânico e crises de ansiedade. “A violência, o assédio e o abuso são políticas institucionais; são sistêmicos e naturalizados”, enfatizou.
Assédio e Sobrecarga no Trabalho
Os relatos de assédio familiarizam-se com situações extremas. Uma funcionária mencionou que um gestor se aproveitava de sua vulnerabilidade, abordando-a em áreas isoladas com tentativas de agressão física. Embora tenha comunicado a incidentes a um supervisor, as medidas corretivas não foram implementadas e o agressor foi promovido posteriormente.
Outro ex-funcionário do Sesc Campinas decidiu buscar reparação judicial por suas experiências de assédio e sobrecarga de trabalho. Ele também descreveu situações de pressão extrema, onde gritos e humilhações eram comuns e levavam a um desgaste excessivo.
Desigualdade Salarial e Nepotismo
Casos de desigualdade salarial foram igualmente denunciados. Uma funcionária, que é mulher negra, relatou que, ao ser promovida, percebeu que seu salário era inferior ao de colegas brancos no mesmo cargo. “Essa situação reflete não apenas a desigualdade, mas a manipulação para garantir que apenas a imagem da diversidade seja apresentada, sem a real inclusão,” criticou.
Além disso, acusações de nepotismo e falta de transparência nas contratações surgiram durante as entrevistas. Um ex-trabalhador, que pediu anonimato, afirmou que as promoções acontecem sem uma lógica aparente, gerando frustração e desconfiança entre os colaboradores.
Repercussão das Denúncias
As alegações não se restringem apenas ao Sesc Campinas, levando a um panorama preocupante sobre a saúde mental e segurança dos trabalhadores nas várias unidades do Sesc. Um caso emblemático ocorreu na unidade de Guarulhos, onde o Sesc foi condenado por assédio moral, resultando na demissão de três coordenadores.
Em resposta às denúncias, a direção do Sesc se absteve de comentar em detalhes. Uma nota oficial afirmou que a organização “respeita rigorosamente as leis trabalhistas” e que possui canais para denúncias, mas a falta de ação efetiva continua a gerar questionamentos.
Suicídio e Mobilização Interna
O suicídio no Sesc Pompeia não apenas expôs as falhas na gestão, mas também mobilizou uma série de funcionários que redigiram uma carta aberta exigindo maior responsabilização e mudanças nas condições de trabalho. A nota sublinha que condições de trabalho insalubres e a pressão constante têm levado trabalhadores ao limite.
Aspectos Legais do Assédio no Trabalho
De acordo com Otávio Pinto e Silva, presidente da Comissão de Advocacia Trabalhista da OAB SP, “o assédio está ligado a práticas de ameaça e violência que acontecem no ambiente de trabalho”. Ele também enfatizou que as vítimas podem denunciar tanto ao sindicato quanto ao Ministério Público do Trabalho, que pode tomar medidas judiciais para investigar e corrigir as situações reportadas.











