
Um inquérito em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF) investiga a atuação do senador Weverton Rocha (PDT-MA) junto ao ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Humberto Martins, com o propósito de obstruir investigações relacionadas a uma organização criminosa no Maranhão. A decisão divulgada pelo ministro Flávio Dino nesta sexta-feira (14) revela a existência de uma rede criminosa no estado envolvida em homicídios, corrupção e desvio de dinheiro público.
De acordo com a investigação, o senador teria utilizado sua influência para atrasar um caso no STJ que atingia a família Brandão, atualmente um dos principais grupos de poder no governo do Maranhão, sob a liderança do governador Carlos Brandão (MDB). Documentos obtidos a partir do celular de Weverton Rocha indicam uma relação próxima entre ele e o ministro Humberto Martins, com a Polícia Federal (PF) apontando que Rocha solicitou favores específicos diretamente ao ministro, mencionando nomes de envolvidos nos processos.
Uma ligação de cinco minutos entre o senador e o ministro, realizada em 2 de junho de 2025, é um dos episódios destacados na apuração. Na mesma data, Martins ordenou a transferência de Gilbson Júnior a Brasília, movimento que se tornou a última ação significativa no processo, que ficou paralisado. A Polícia Federal investiga a suspeita de que Rocha tenha recebido pagamento da família Brandão para interferir nas investigações.
A assessoria do ministro Humberto Martins, entretanto, informou que, por se tratar de um processo sob segredo de justiça, não comentará o caso. A nota também mencionou que os autos do habeas corpus foram encaminhados ao ministro Flávio Dino. O senador Weverton Rocha foi procurado pela CNN Brasil para se manifestar, mas até o momento não houve retorno.
H2 relevante
As investigações começaram após o assassinato de João Bosco Pereira em 2022, um caso que, segundo as apurações, ocorreu durante uma reunião para discutir a distribuição de dinheiro de propina oriunda de contratos públicos. Após o crime, foi desencadeada uma série de ações visando dificultar o avanço das investigações, envolvendo autoridades policiais e judiciárias.
A Polícia Civil do Maranhão está sendo suspeita de atuar de forma intencional para proteger Daniel Brandão, atual presidente do Tribunal de Contas do Estado, que participou da reunião relacionada ao crime, mas que não foi mencionado nos relatórios iniciais. Diversos episódios comprometendo as investigações foram registrados, incluindo a “desaparição” de imagens de câmeras de segurança que poderiam ter identificado a presença de participantes na reunião.
A PF também descreve um esforço coordenado para evitar que Gilbson Júnior e sua família colaborassem com as investigações, incluindo tentativas de convencê-los a mentir em depoimentos. Há ainda registros de que Edvar Rodrigues, um agente da PF, vazava informações para os investigados e os pressionava para que não colaborassem com as autoridades.
Além disso, o ex-deputado Raimundo Cutrim foi acusado de orientar a família de Gilbson Júnior a realizar depoimentos falsos e fornecer dinheiro em espécie, supostamente ligado à família Brandão, para justificar suas ações e evitar a delação premiada.










