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Brasil

Senador Sergio Moro se filia ao PL e mira disputa pelo governo do Paraná

O senador Sergio Moro oficializou sua filiação ao PL (Partido Liberal) nesta terça-feira, 24 de março, em um evento que contou com a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A adesão ao partido indica a intenção de Moro de disputar o governo do Paraná nas próximas eleições.

Conhecido por seu papel como juiz na Operação Lava Jato, Moro abandonou uma carreira de 22 anos na Justiça Federal para se tornar ministro da Justiça no governo Bolsonaro, logo após as eleições de 2018.

Contudo, o relacionamento com Bolsonaro deteriorou-se em abril de 2020, quando Moro acusou o presidente de interferir na Polícia Federal (PF). De acordo com sua denúncia, Bolsonaro havia demitido o então diretor-geral da PF em busca de um nome de confiança.

Durante sua filiação ao PL, Moro fez críticas diretas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enfatizando a necessidade de sua saída do poder. O ex-juiz é frequentemente acusado de parcialidade na condução da Lava Jato, que resultou na prisão de Lula.

“Ele [Lula] foi eleito com a premissa de que seria inocente, mas nunca teve sua inocência comprovada pelo Supremo Tribunal Federal; foi condenado em várias instâncias”, afirmou Moro, desconsiderando o fato de que suas condenações foram posteriormente anuladas pela Corte.

Além de Moro, o PL anunciou também candidaturas de outras figuras proeminentes, como o deputado federal Filipe Martins (PL-TO) e Deltan Dallagnol (Novo-PR), que foi procurador e um dos coordenadores da força-tarefa da Lava Jato.

Relação com Bolsonaro

Moro enfrentou situações complicadas durante sua gestão como ministro, incluindo a transferência do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) para o Ministério da Economia e, posteriormente, para o Banco Central por decisão de Bolsonaro.

Essas decisões estavam envolvidas em suspeitas relacionadas a Flávio Bolsonaro, atualmente pré-candidato à presidência, e foram motivações relevantes para o início das investigações sobre “rachadinhas”, esquema que teria ocorrido no gabinete do filho do ex-presidente.

Moro criticou abertamente o governo por suas posturas, alegando que indicações políticas para cargos como o da PF não eram aceitáveis. Além disso, fez severas críticas à gestão da pandemia de Covid-19, que causou mais de 700 mil mortes no Brasil, mencionando a falta de vacinas e questionando a liderança do presidente durante a crise.

Em 2022, Moro lançou sua candidatura à presidência, mas desistiu ainda no período pré-eleitoral, sendo eleito posteriormente ao Senado pelo Paraná e, no segundo turno, decidiu apoiar Bolsonaro.

Relação com Flávio Bolsonaro

Durante as eleições presidenciais de 2022, Flávio Bolsonaro, que agora apoia Moro, havia publicado um artigo na Folha de S. Paulo afirmando que Moro “soltou Lula”.

No artigo, Flávio criticou a atuação de Moro na Lava Jato, atribuindo a anulação dos processos que levaram à condenação de Lula a “abusos de autoridade” do ex-juiz.

Mensagens reveladas por reportagens da Vaza Jato em 2019 indicavam que Moro havia colaborado indevidamente com o Ministério Público Federal, o que levou o Supremo Tribunal Federal a considerá-lo suspeito para julgar os casos relacionados ao ex-presidente.

Flávio afirmou ainda que Moro não se contentou com a posição de ministro e destacou sua saída do governo em termos altamente críticos.

Contudo, durante o evento de filiação, Flávio ressaltou que possui confiança nas capacidades de Moro, enfatizando a importância de olhar para o futuro, apesar de divergências anteriores.

Candidatura ao Governo do Paraná

Natural de Maringá, Moro se prepara para a disputa contra um candidato indicado por Ratinho Jr. (PSD), atual governador do estado.

Embora Ratinho tenha demonstrado interesse em uma candidatura à presidência, ele acabou desistindo, com sua decisão sendo influenciada pelo cenário político em torno de Moro, conforme reportado pela CNN.

Até o momento, Moro lidera as pesquisas para o governo do Paraná, enquanto Ratinho busca fortalecer sua posição política no estado após desistir da corrida presidencial.

Ratinho enfrenta risco de perder apoio em sua base se se afastar do governo para focar na presidência, potencializando a vulnerabilidade de sua candidatura diante da ascendente popularidade de Moro.

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