
O estado de São Paulo registrou um alarmante aumento de 33% nos feminicídios nos primeiros dois meses de 2026, com um total de 56 casos, de acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) divulgados nesta terça-feira, 31 de março. Este número representa o maior índice para o bimestre desde o início da série histórica em 2018.
Enquanto os feminicídios sobem, os homicídios em geral apresentam uma queda significativa: foram 392 homicídios dolosos registrados, o que marca a mínima histórica desde 2001 e uma redução de 7,5% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Na capital paulista, o número de homicídios caiu 22%, totalizando 74 casos, o menor desde 2001.
Feminicídios e seu contexto
Na cidade de São Paulo, ocorreram 11 feminicídios nos primeiros dois meses do ano, uma leve diminuição em relação ao ano passado, mantendo-se como o segundo pior resultado desde 2018. O feminicídio, conforme a Lei 13.104, se caracteriza pelo assassinato de mulheres motivado pela condição de gênero, frequentemente relacionado a casos de violência doméstica.
Fevereiro foi marcado por eventos trágicos, incluindo a morte da soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, cujo marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, foi preso sob a suspeita de homicídio com simulação de suicídio. A investigação revelou que Gisele havia solicitado o divórcio e que havia um histórico de agressões. Laudos periciais descartaram a hipótese de suicídio.
Além disso, outros casos de feminicídios ocorreram, como o assassinato de uma jovem de 22 anos por seu ex-namorado em um shopping em São Bernardo do Campo. Essas ocorrências levantam preocupações sobre a crescente violência contra mulheres no estado.
Medidas de combate à violência
Em resposta ao aumento de feminicídios, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) anunciou um conjunto de medidas para reforçar o combate à violência contra a mulher. As ações incluem a implementação de 69 salas dedicadas às Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) em plantões policiais ao longo do ano e um plano decenal contra a violência doméstica.
De acordo com especialistas, o aumento nos feminicídios pode refletir um aprimoramento na classificação desses crimes ao longo do tempo. Enquanto isso, os registros de tentativas de homicídio e estupros contra mulheres reduziram nos dois primeiros meses do ano, mas os casos de agressões e ameaças, classificados como lesão corporal dolosa, aumentaram.
Queda em roubos e furtos
Os dados da SSP também revelam uma queda acentuada nos registros de roubos, furtos e latrocínios em São Paulo. Roubos caíram de 30.180 no bimestre do ano passado para 23.719, uma redução de 21%. Na capital, os roubos totais atingiram 14.870, representando uma diminuição de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Em comunicado, a SSP informou que houve uma redução de 20% nos roubos de celulares, contando 8.430 ocorrências, em comparação com 10.587 no ano anterior. A administração atribui essa melhora ao aumento do policiamento nas áreas de maior incidência e às operações da Polícia Civil voltadas para a prisão de criminosos.
Os furtos na capital permaneceram praticamente estáveis, com um total de 40 mil ocorrências, apenas 56 a menos que no ano passado, enquanto que, no estado, os furtos registraram uma diminuição de 7%, totalizando 86.500 casos no bimestre.











