
O retorno da cobrança da tarifa do transporte coletivo em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, causou grandes filas e confusões entre os usuários. A partir de 15 de julho de 2026, a compra do bilhete, que custa R$ 5, voltou a ser obrigatória para quem não reside no município. Antes, a prefeitura subsidiava integralmente o serviço.
De acordo com informações publicadas pela Folha de S.Paulo, a mudança na política tarifária é resultado de um planejamento inadequado. Inicialmente, o governo previu um aumento de 50% no número de passageiros, mas na prática, o crescimento foi de 300%, saltando de 20 mil para 80 mil usuários diariamente.
Novas Regras para Moradores e Não-Moradores
A gratuidade no transporte agora é exclusiva para moradores de São Caetano que comprovarem residência, enquanto os cidadãos de fora devem efetuar o pagamento em dinheiro ou com um cartão disponível no site da Viação Padre Eustáquio, responsável pelo serviço.
Impacto nos Usuários do Transporte
Adriana Teixeira Vieira, 52, moradora de São Miguel Paulista, expressou preocupação com a nova cobrança. Para ela, o custo de quatro passagens diárias pode não valer a pena, considerando que sua viagem para trabalhar em São Caetano leva duas horas e meia.
“Vai pesar no bolso porque serão quatro passagens por dia. Tenho que ver se vale a pena”, destacou. Adriana não conseguiu usar seu cartão Top, que é válido para São Paulo e parte da região metropolitana, ao tentar acessar as linhas municipais.
Outros usuários também enfrentaram problemas. Elaine Pereira dos Santos, 39, que trabalha como líder de limpeza em São Caetano, contou que ela e colegas chegaram ao terminal às 7h30, mas não conseguiram ir ao trabalho devido à falta de opção de pagamento.
Soluções Alternativas na Pressa
Para alguns, a necessidade de ter dinheiro em espécie se tornou um desafio. Silvana Arenha, 53, conseguiu fazer um Pix para uma vendedora de bolo para obter o dinheiro necessário. “Comprei um bolo, dei um valor a mais e consegui”, relatou.
As longas filas nos pontos de ônibus também foram agravadas pela falta de cobradores, o que gerou ainda mais desconforto aos passageiros. Um funcionário da concessionária de transporte até esteve no local para organizar o fluxo e ajudar os residentes que aguardavam a entrega de seus cartões.
Cadastro e Acesso à Gratuidade
Até duas dias antes da retomada da cobrança, mais de 60 mil pessoas se cadastraram no programa de gratuidade SancaGovbr. Desses, 52.459 pedidos foram aprovados, mas muitos foram rejeitados devido a inconsistências nos documentos apresentados.
A prefeitura informou que já entregou mais de 21 mil cartões que garantem a gratuidade para os moradores. O cenário se mostra complicado para muitos, que agora enfrentam não apenas o impacto financeiro, mas também a falta de infraestrutura e informações sobre o novo sistema.











