
Segundo informações publicadas pela CNN Brasil, a recente desistência do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), em buscar uma candidatura presidencial evidencia a predominância das dinâmicas regionais na política brasileira. O cientista político Leonardo Barreto, da consultoria Think Policy, destaca que “toda política é, antes de tudo, local”.
Impacto de Sergio Moro
O consultor afirma que a entrada de Sergio Moro, atualmente liderando as pesquisas para o governo paranaense, foi crucial para essa mudança de planos. Moro conta com o apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL), que também é pré-candidato à presidência da República. A filiação de Moro ao PL está prevista para o dia 24 de março.
De acordo com Barreto, esse novo cenário tornou a candidatura presidencial de Ratinho Júnior insustentável. Ele observa que a projeção de Moro, aliado a Flávio Bolsonaro, enfraqueceria a posição do governador em seu próprio estado.
Concorrência e Sucessão
Barreto menciona que Ratinho Júnior avaliou que a força política de seus possíveis sucessores, como Guto Silva, secretário das Cidades; Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba que deixou o PSD para se candidatar pelo MDB; e Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, não seria suficiente para rivalizar com Moro. “Nenhum dos três candidatos à sua sucessão conseguiria enfrentar Moro com suas próprias forças”, declara Barreto.
Risco Político
O cientista político salientou que Ratinho Júnior corria o risco de perder influência local enquanto se distraía com a campanha nacional. “Enquanto se dedicava à campanha nacional, ele estaria correndo o sério risco de perder o controle da política local”, disse.
Alternativa ao Senado
A possibilidade de Ratinho Júnior concorrer ao Senado também foi descartada devido à idade avançada do vice-governador, Darci Piana (PSD), que tem 84 anos e não estaria apto para se engajar adequadamente na campanha.
Conclusão: Estratégia Regional
Na visão de Barreto, a melhor estratégia para Ratinho Júnior teria sido estabelecer um acordo político mais amplo, incluindo a aceitação da proposta de Flávio Bolsonaro. O analista sugere que uma candidatura conjunta ao Senado poderia ter ajudado a preservar sua influência no Paraná. Sem essa articulação, ele conclui que a decisão de Ratinho Júnior foi pragmática: priorizar o controle regional em detrimento de uma ambição presidencial, uma vez que “a política é essencialmente local”.



