
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (1º de abril de 2026) uma nova etapa da operação Exfil, que investiga o vazamento e a venda de informações fiscais de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de seus familiares. Em cumprimento a ordens do ministro Alexandre de Moraes, a operação resultou na prisão preventiva de um suspeito e em seis mandados de busca, realizados nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo.
Esquema de Vazamento de Dados
As investigações indicam a existência de um esquema de acesso ilegal aos sistemas da Receita Federal. Esse esquema visava coletar dados fiscais de figuras importantes, incluindo o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Segundo informações publicadas pelo site Poder360, os dados sigilosos eram vendidos por integrantes do esquema.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) destacou, em parecer favorável à operação, que dados de 1.819 contribuintes foram acessados. Entre esses, havia informações relacionadas a ministros do Tribunal de Contas da União (TCU), deputados federais, ex-senadores e empresários.
Principal Suspeito e Modus Operandi
Marcelo Paes Fernandez Conde foi identificado como o principal suspeito, apontado como o mandante do vazamento. As investigações revelam uma “cadeia estruturada” para a obtenção e venda de informações fiscais. A PF informou que Conde pagava R$ 4.500,00 em espécie por cada declaração fiscal acessada, com envolvimento de:
- Agentes públicos com acesso funcional
- Funcionários terceirizados
- Despachantes e intermediários
O ministro Alexandre de Moraes justificou a nova fase da operação como essencial para a identificação de outros envolvidos no esquema.
Medidas Cautelares e Novas Apurações
Na fase anterior da operação, realizada em 17 de fevereiro, foram constatados acessos indevidos aos sistemas da Receita Federal. Quatro investigados sofreram medidas cautelares, incluindo restrições em suas funções públicas.
Os investigados estão convocados a prestar depoimentos à PF, que continua conduzindo as apurações. O inquérito está vinculado a uma investigação anterior sobre fake news, que permanece sob sigilo desde 2019.
Contexto da Investigação
A operação Exfil é parte de um inquérito sobre vazamentos de dados de autoridades na Receita Federal, cuja condução foi divulgada pelo Poder360 em 13 de janeiro de 2026. A investigação de Moraes surge em meio a apurações sobre a possível quebra de sigilo fiscal de ministros e suas famílias, apontando a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) como responsáveis.
Além das buscas, a operação determinou medidas como monitoramento eletrônico dos investigados e proibição de saída do país. O inquérito prevê ainda ações adicionais, como perícias em computadores e verificação de acessos a dados sigilosos.
A recente onda de vaza-mentos de dados pessoais de autoridades incluiu, entre outros, informações sobre contratos e operações financeiras que poderiam ter sido obtidos via acesso indevido à Receita Federal ou ao Coaf.
As investigações seguem em andamento, com apoio de diversos órgãos governamentais, incluindo o Fisco e o Coaf, que foram demandados a explicar acessos às informações fiscais de magistrados. Os resultados dessas apurações poderão impactar significativamente o curso da investigação em andamento.



