
A Polícia Civil de Santa Catarina continua a apuração sobre a morte do Cão Orelha, que ocorreu na madrugada de 4 de janeiro, na Praia Brava, em Florianópolis. Durante coletiva na quarta-feira (4), o delegado Renan Balbino e a delegada Mardjoli Valcareggi apresentaram atualizações sobre a investigação, que se concentra em um adolescente como principal suspeito, entre quatro inicialmente identificados.
Os relatos indicam que o Cão Orelha foi agredido por cerca de 35 minutos. A polícia tem examinado imagens de câmeras de segurança e recebido depoimentos de testemunhas para traçar o deslocamento dos adolescentes no local do crime. Apesar da falta de vídeos do ato violento em si, a delegada Mardjoli destacou que o cruzamento dessas informações permitiu a identificação do suspeito.
Esse jovem apresentou inconsistências em seu relato sobre seu paradeiro e vestimentas no dia da agressão. Para esclarecer a participação dos outros adolescentes, Balbino mencionou que dois deles forneceram alibis que confirmaram que não estavam próximos ao local do crime. As investigações revelaram que um terceiro adolescente foi visto nas imediações, mas apenas um foi vinculado mais diretamente às agressões.
O laudo pericial indica que as feridas no animal foram causadas por um impacto forte na cabeça, possivelmente resultante de um chute ou de um objeto sólido, como uma garrafa. O animal recebeu assistência, mas veio a falecer em uma clínica veterinária no dia seguinte às agressões.
A representação pela internação provisória do adolescente suspeito foi encaminhada ao Ministério Público, juntamente com documentos e depoimentos pertinentes à investigação do ato infracional.
Identificação dos autores
Para identificar o responsável pela agressão, a Polícia Civil implementou uma força-tarefa que revisou mais de mil horas de gravações de câmeras de segurança em 14 locais. Ao todo, 24 testemunhas foram consultadas e oito adolescentes foram investigados. Um software de localização também ajudou a mapear os deslocamentos na área.
As investigações revelaram contradições no depoimento do jovem apontado como autor das agressões. Registros de câmeras mostram que ele saiu de um condomínio às 5h25 e retornou às 5h58, o que diverge consideravelmente de sua narrativa.
No mesmo dia de sua identificação como suspeito, o adolescente viajou para os Estados Unidos, retornando apenas em 29 de janeiro, quando foi abordado no aeroporto. Durante a abordagem, um membro da família tentou ocultar um boné e um moletom, que, segundo a investigação, estavam associados ao dia do crime.
O que diz a defesa
Em comunicado à CNN Brasil, advogados do adolescente negaram que as evidências apresentadas comprovem sua culpabilidade. Eles argumentam que os elementos citados são baseados em indícios circunstanciais, que não constituem prova robusta para conclusões definitivas.
A defesa também contestou a relevância das roupas que seriam do jovem, alegando que há imagens de outros adolescentes na área na hora das agressões, questionando assim a vinculação direta do seu cliente ao ato de violência contra o Cão Orelha.











