
Transferência do Tenente-Coronel Geraldo Neto para a Reserva
Na última quinta-feira (2), a Polícia Militar de São Paulo oficializou a transferência do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto para a reserva, após sua prisão relacionada à morte da soldado Gisele Alves Santana. Segundo informações publicadas pela CNN Brasil, o oficial poderá se aposentar com vencimentos integrais, uma decisão que já gera controvérsia.
De acordo com a portaria da Diretoria de Pessoal da corporação, o tenente-coronel tem direito a se aposentar com base em “critérios proporcionais de idade”. Ele receberá cerca de R$ 20 mil mensais, embora seu último salário bruto tenha sido de aproximadamente R$ 28 mil. Essa informação está disponível no portal de Transparência do Governo de São Paulo.
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou, ainda, que foi autorizado um conselho de justificação para Geraldo Neto, que poderá levar a sua demissão e à perda de posto e patente. O processo administrativo seguirá, mesmo após sua aposentadoria.
Investigação sobre a Morte de Gisele Alves Santana
O caso da soldado Gisele, que foi encontrada morta em seu apartamento no Brás, em 18 de fevereiro, inicialmente considerado suicídio, avançou para um inquérito de feminicídio. Neste contexto, o tenente-coronel Geraldo, de 53 anos, está preso no Presídio Militar Romão Gomes desde 18 de março, sendo réu por feminicídio e fraude processual.
A reavaliação das circunstâncias do caso ocorreu após a análise de laudos periciais e depoimentos, levando o Ministério Público a apresentar a denúncia. Como mencionado pela CNN Brasil, a defesa de Geraldo Neto alegou que sua aposentadoria foi uma decisão “particular” após “cumprir sua missão”.
Provas de Violência
O relatório da Polícia Civil apresenta elementos que refutam completamente a hipótese de suicídio. As investigações indicam contradições nas declarações de Geraldo, manipulação da cena do crime e evidências de violência prévia à morte de Gisele. Laudos periciais confirmaram que o disparo foi realizado com a arma encostada na cabeça da vítima, indicando uma dinâmica incompatível com um suicídio.
Além disso, durante a perícia, foram identificadas lesões no rosto e pescoço de Gisele, incluindo marcas de dedos, sugerindo que ela foi imobilizada antes de ser morta. Hematomas ao redor dos olhos reforçam a possibilidade de agressões anteriores ao disparo.
As investigações seguem em andamento, e o inquérito está na fase final, pronto para ser enviado ao Judiciário. O desdobramento dos fatos em relação à aposentadoria do oficial e o processo judicial continuam a ser acompanhados de perto pela opinião pública.



