...
Política

Planalto teme impacto do caso Master em sua imagem e estratégia política

O empresário baiano Augusto Ferreira Lima, conhecido como Guga Lima, está sob atenção do Palácio do Planalto no contexto do caso Master, conforme apuração da CNN Brasil. Ex-sócio de Daniel Vorcaro, atualmente preso e posteriormente libertado, Lima deve depor na Polícia Federal no final de janeiro, e as autoridades estão concentradas no que ele poderá revelar.

A preocupação do governo reside no histórico de Lima com o PT, que se estende antes de sua associação com Vorcaro e o Centrão. A relação começou em 2018, durante a gestão do então governador Rui Costa, quando Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, estava à frente da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia. Nessa época, Lima venceu uma licitação de venda da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) e lançou o CredCesta, um cartão de crédito consignado direcionado a funcionários públicos, com juros abaixo do mercado.

O sucesso do CredCesta fez com que o modelo fosse adotado em outros estados, atraindo o interesse de Vorcaro, que se tornou sócio de Lima no Master em 2020, incorporando o cartão como um dos principais ativos do banco. Entretanto, Lima decidiu deixar a sociedade em maio de 2024, alegando que soube de negócios feitos por Vorcaro por terceiros, mostrando um distanciamento entre eles. Lima é descrito como discreto, enquanto Vorcaro possuía um perfil extravagante.

Recentemente, Lima assumiu o controle do Banco Voiter, que mudou de nome para Banco Pleno e hoje administra o CredCesta. Fontes próximas à investigação afirmam que Lima, mais do que Vorcaro, pode estabelecer conexões entre o caso Master e o governo Lula, devido a seu envolvimento desde a Bahia. No entanto, suas relações não se restringem apenas ao grupo político ligado ao PT, tendo também conexões com lideranças da direita na Bahia, como ACM Neto e João Roma.

Guga Lima é casado com Flávia Peres, ex-ministra de Jair Bolsonaro, que se afastou da política ao não receber apoio familiar em sua tentativa de se candidatar ao Senado em 2022. Conversas recentes indicam que Lima não tem intenção de colaborar com as autoridades, pois acredita não ter informações relevantes para delatar. Ele se considera injustiçado e aponta que a operação contra ele seria uma reação ao sucesso do CredCesta, lembrando que um banqueiro paulista já havia tentado adquirir seu negócio sem sucesso.

A estratégia de Lima parece ser desvincular-se de Vorcaro e de possíveis irregularidades conectadas ao Master, sublinhando seu desligamento da sociedade antes da tentativa de compra pelo BRB. A CNN Brasil buscou comentários do ministro Rui Costa e do secretário de Comunicação da Presidência, Sidônio Palmeira, mas não obteve resposta. A assessoria de Jaques Wagner reiterou que conheceu Lima em 2017, quando ele participou da licitação da Cesta do Povo, destacando que os laços entre eles foram estabelecidos em um contexto de proposta empresarial.

As Mais Lidas de Hoje

[wtpsw_gridbox showdate="false" showauthor="false" show_comment_count="false"]
[taxopress_relatedposts id="1"]

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios