
A 3ª Vara Criminal do Rio de Janeiro expediu um mandado de prisão contra o rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, que agora é considerado foragido. A Polícia Civil tentou cumprir a ordem na residência do artista, mas não obteve sucesso na localizá-lo.
Oruam é réu em um processo por tentativa de homicídio qualificado e estava em liberdade com uso de tornozeleira eletrônica, uma concessão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). No entanto, a liminar que permitia sua liberdade foi revogada pelo próprio STJ, após relatos de violações repetidas das condições estabelecidas.
Violação de Condições
Relatórios da Coordenação de Monitoração Eletrônica da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) indicaram que Oruam descumpriu diversas vezes o recolhimento domiciliar noturno e apresentou frequência de problemas com o dispositivo de monitoramento, com 22 incidentes registrados entre outubro e novembro de 2025.
Na última vez que compareceu à Central de Monitoração, em 9 de dezembro de 2025, sua tornozeleira foi substituída. A perícia técnica, realizada após a troca, identificou danos no aparelho, possivelmente resultantes de impacto elevado. Segundo a Seap, desde a instalação do monitoramento em 30 de setembro do ano passado, Oruam teve 66 ocorrências, 21 delas graves apenas em 2026, principalmente devido à falta de carga da bateria.
A Seap comunicou formalmente essas violação ao Judiciário, enviando relatórios mensais à 3ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio. O novo dispositivo passou a apresentar falhas após a substituição e ficou descarregado desde 1º de fevereiro deste ano.
Decisão Judicial
Como resultado do descumprimento das condições, o Ministério Público solicitou a prisão preventiva de Oruam. Embora o juiz tenha reconhecido as transgressões, não ordenou a detenção anteriormente devido à vigência da liminar do STJ. Contudo, após a revogação da liminar, a juíza Tula Corrêa de Mello considerou que as medidas alternativas eram insuficientes e determinou a prisão preventiva para assegurar a ordem pública e o andamento do processo penal.
Acusações
O rapper Oruam enfrenta acusações de tentativa de homicídio qualificado em um caso que também envolve o delegado Moyses Santana Gomes e o oficial Alexandre Alves Ferraz, ambos da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Outras três pessoas, incluindo Willyam Matheus Vianna Rodrigues Vieira, Pablo Ricardo de Paula Silva de Morais e Victor Hugo Vieira dos Santos, são co-réus no mesmo processo.
A denúncia afirma que, em 22 de julho de 2025, durante uma operação policial na residência do rapper para cumprir uma ordem de busca e apreensão relacionada a um menor envolvido em atividades ilícitas, Oruam e outros indivíduos atacaram os agentes com pedras.
Oruam é filho de Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, atualmente preso em uma penitenciária federal.











