
No dia 17 de abril de 1996, o massacre de Eldorado do Carajás resultou em 19 assassinatos e numerosos feridos, além de duas mortes subsequentes por conta dos disparos registrados. Embora a tragédia tenha sido amplamente reconhecida, apenas os dois comandantes da operação policial foram condenados por homicídio, levantando questões sobre a impunidade no caso.
Para marcar os 30 anos da tragédia, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) está organizando uma marcha de cinco dias que vai de Curionópolis até Eldorado do Carajás. A mobilização inclui atos políticos, debates e atividades culturais, culminando em um evento na Curva do S, onde será realizada uma homenagem às vítimas e uma defesa pela reforma agrária.
Um dos sobreviventes, Zé Carlos, recorda seus dias antes do massacre. Ele tinha apenas 18 anos e, após se mudar do Maranhão para o sudeste do Pará junto com seus pais, decidiu visitar o acampamento na fazenda Macaxeira. Ao perceber a luta pela desapropriação da terra, ele se juntou a outros trabalhadores em um protesto pacífico. A situação se agravou quando a Polícia Militar cercou a rodovia e começou a agir de forma violenta.
No início, Zé Carlos acreditou que os sons que ouvia eram de bombas de efeito moral. Porém, a realidade se tornou clara quando viu amigos sendo atingidos. “Mataram primeiro o Amâncio, o Surdinho,” comentou Zé Carlos, referindo-se a um companheiro que foi baleado. Em meio ao caos, ele próprio se tornou alvo, sendo ferido por um tiro que entrou pelo olho direito. “Na hora não dói. Ela pesa demais e você cai,” lembrou ele, relatando a gravidade do momento.
O massacre de Eldorado do Carajás permanece como um lembrete trágico da luta pela terra no Brasil e da necessidade de justiça e proteção aos trabalhadores rurais.



