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SP

Moradores da Vila Mariana contestam traçado da Linha 16-Violeta do Metrô em São Paulo

Moradores da Vila Mariana, localizada na zona sul de São Paulo, estão organizando uma mobilização desde outubro de 2025 em resposta ao traçado da Linha 16-Violeta do Metrô. O trajeto atual prevê a construção de uma estação no coração do bairro, provocando preocupações que levaram os residentes a propor um novo local para a unidade.

O projeto da Linha 16-Violeta, que visa atender cerca de 475 mil passageiros diários até 2040, foi delineado em um estudo da empresa espanhola Acciona, que anteriormente trabalhou na Linha 6-Laranja. Estima-se que o edital para concessão será publicado no segundo semestre de 2026, dando início ao leilão do projeto, que pode demandar um investimento de R$ 37,5 bilhões para a realização de 16 estações ao longo de 19 quilômetros.

A proposta atual para a estação Dante Pazzanese, situada entre a Avenida Conselheiro Rodrigues Alves e a Rua Morgado de Mateus, resultaria na desapropriação de até 20 propriedades, inclusive o recém-inaugurado Oba Hortifrúti. Essa perspectiva não foi bem recebida pelos moradores. A residente Tereza Cristina expressou sua preocupação: “As ruas são muito estreitas, como ficará o trânsito com a construção do Metrô? Vai descaracterizar o bairro.”

A Associação de Moradores da Vila Mariana (AVM) está liderando a causa, tendo coletado cerca de 3.000 assinaturas em uma petição para a realocação da estação. A proposta da AVM sugere que a nova estação seja construída no estacionamento do Hospital Dante Pazzanese, ressaltando que essa localização atende melhor à demanda local.

Denise Delfim, presidente da AVM, argumenta que “o estacionamento do hospital dá acesso a diversos pontos de interesse, como o parque, o Colégio São Luís, e é uma área de terra pública. Seria uma solução melhor do que impactar negativamente o bairro.” Muitos moradores, como Cynthia Salzano, que possui um imóvel na área de desapropriação, afirmam que não foram consultados durante o processo de planejamento. “Ninguém recebeu absolutamente nada,” disse Cynthia.

Os membros da associação elaboraram um relatório técnico com o auxílio da arquiteta Akiko Yamashita, destacando a importância de um planejamento urbano mais integrado. Ivan Whately, especialista em mobilidade e ex-assessor do Metrô-SP, analisou o projeto e observou que, apesar da qualidade urbanística do relatório, algumas questões precisam de mais aprofundamento técnico e não podem ser resolvidas apenas por esse estudo preliminar.

A Secretaria de Parcerias em Investimentos de São Paulo (SPI) esclareceu que os estudos já realizados passaram por discussões públicas e as sugestões recebidas estão em avaliação, podendo ser incorporadas ao projeto final. O traçado e a localização das estações serão decididos com base em critérios técnicos como demanda e integração com a rede de transporte.

Conforme reportado pela Folha, a Acciona foi contactada para elucidações sobre o projeto, mas direcionou as questões para a SPI. O Instituto Dante Pazzanese também foi procurado, mas não respondeu aos contatos realizados até a publicação desta matéria.

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