O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, ainda não decidiu sobre o pedido de soltura de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. A solicitação foi feita há mais de um mês e está relacionada a investigações em andamento sobre fraudes no INSS.
A defesa de Antunes, representada pelos advogados Leandro Raca e Danyelle Galvão, argumenta que a demora na análise do pedido pode ser uma estratégia para pressionar o empresário a fazer uma delação premiada. Eles citam que essa delação poderia impactar as eleições de 2026, com investigações que poderiam atingir Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Lulinha é mencionado como um potencial beneficiário do esquema investigado, após a nova fase da operação Sem Desconto ter alvo em Roberta Luchsinger, com vínculos pessoais com o filho do presidente.
Segundo informações da Polícia Federal, foram encontrados indícios de um pagamento de R$ 300 mil a uma empresa de Luchsinger. Em mensagens, Antunes faz referência a esse valor como destinado “para o filho do rapaz”, embora não especifique a quem se refere.
Os advogados de Antunes destacam que a prisão dele ocorreu em setembro e que o pedido de revogação foi protocolado em 2 de dezembro. Contudo, até a noite da última quarta-feira (14), esse pedido não havia sido encaminhado para avaliação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
O filho de Antunes, Romeu Carvalho Antunes, também preso em dezembro, teve um pedido de soltura semelhante protocolado em 2 de janeiro, o qual também aguarda análise no gabinete do ministro Mendonça e ainda não foi encaminhado à PGR.
Informações de interlocutores de Antunes indicam que a prisão do filho torna a defesa dele mais vulnerável a um acordo de delação premiada. No entanto, conforme reportado pela CNN, Antunes não tem intenção de colaborar com as investigações. Seu foco é provar a legalidade de suas atividades e esclarecer que a atuação do filho limitou-se ao registro de baixa das empresas.
Antunes alega que a argumentação contra eles, baseada na dilapidação de patrimônio, carece de fundamentos. Documentos comprobatórios de suas atividades legítimas teriam sido apresentados, contestando as alegações feitas.
A CNN entrou em contato com o ministro André Mendonça e aguarda um retorno sobre a situação.
A defesa de Antunes negou qualquer possibilidade de colaboração premiada. Segundo o advogado Leandro Raca, “Antônio é empresário há 11 anos, com experiência em grandes empresas do setor de saúde. Seus negócios são lícitos e ele sempre atuou em conformidade com as exigências legais”.
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