No dia 18 de dezembro, o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi detido pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos. A prisão ocorreu durante a Operação Compliance Zero, que investiga a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras do Sistema Financeiro Nacional. A operação foi realizada com urgência devido ao temor de que Vorcaro pudesse fugir para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Antes da detenção, Vorcaro participou de uma reunião virtual com o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, entre 13h30 e 14h10. Também estavam presentes, na reunião, Belline Santana, chefe do Departamento de Supervisão Bancária, e Paulo Sérgio Neves de Souza, chefe adjunto do referido departamento.
Vorcaro tinha a intenção de discutir acordos em Dubai para a venda do Banco Master a um consórcio liderado pela Fictor Holding Financeira, juntamente com investidores dos Emirados Árabes Unidos. Seus advogados afirmam que o banqueiro estava em tratativas com a Mastercard Brasil para estabelecer novas condições contratuais, que possibilitariam a liberação de crédito e garantiriam recursos suficientes para manter o funcionamento do banco até a venda.
O Banco Central, questionado pela CNN Money, optou por não comentar sobre a reunião virtual. Contudo, no dia seguinte, anunciou a liquidação extrajudicial do Banco Master, uma medida que implica a interrupção de suas atividades e a retirada gradual da instituição do Sistema Financeiro Nacional, barrando qualquer avanço no acordo de venda para o Grupo Fictor.
A liquidação extrajudicial é geralmente aplicada em casos de insolvência considerada irrecuperável, ou quando a instituição compromete gravemente as normas regulatórias do sistema financeiro. O Banco Central, neste caso, avançou para a liquidação sem proceder com medidas cautelares, algo que não é comum, conforme práticas anteriores.
A defesa de Vorcaro alega que o Banco Central estava ciente tanto da venda da instituição quanto da viagem planejada a Dubai.
A Polícia Federal agendou para a tarde desta terça-feira (30) depoimentos de Daniel Vorcaro, do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do diretor do Banco Central Ailton de Aquino, todos envolvidos na reunião virtual do dia 17 de novembro. Os depoimentos, conduzidos de forma separada e por videoconferência, devem começar por volta das 14h, sob a ordem do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Se forem identificadas contradições nas falas, a delegada responsável conduzirá uma acareação entre os três em uma sessão virtual. O procedimento de acareação segue adiante, apesar de um parecer negativo da Procuradoria-Geral da República e um pedido do Banco Central para evitar o confronto entre os depoentes, solicitação que foi rejeitada por Toffoli.
Ao rejeitar os pedidos de suspensão da acareação, o relator do caso no Supremo afirmou que nem o Banco Central nem Ailton de Aquino estão sendo investigados, mas que a participação da autoridade monetária é considerada “salutar” e “de especial relevância para o esclarecimento dos fatos”.
Informações obtidas pela CNN Brasil indicam que as diligências determinadas por Toffoli na investigação acerca das fraudes no Banco Master revelam um procedimento considerado atípico nos bastidores do Supremo Tribunal Federal.
Com informações da CNN Brasil.
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