
Fux, que inicialmente havia votado pela condenação dos réus, mudou sua posição ao avaliar que as condenações resultaram em “injustiças que o tempo e a consciência já não permitem sustentar”. Para ele, a posição anterior incorreu em excessos que merecem correção, conforme suas palavras: “O único rótulo que honra o juiz é o da justiça, ao respeitar o devido processo legal”.
### Julgamento em andamento
O julgamento está previsto para ser concluído até a próxima sexta-feira (17). Os réus foram condenados por **associação criminosa** e **incitação ao crime**, sendo acusados de participar de atos realizados em frente ao quartel-general do Exército em Brasília. Fux destacou que não existem evidências suficientes das condutas individuais que justifiquem as condenações.
Além disso, o ministro refutou a tese da **Procuradoria-Geral da República (PGR)**, que sustenta que a mera participação no acampamento poderia caracterizar os crimes. Resumidamente, Fux argumenta que a responsabilização criminal requer provas concretas sobre a atuação de cada acusado.
### Outros casos e decisões
Em relação a três processos de réus que participaram da invasão aos Três Poderes, Fux votou pela **absolvição parcial**. Ele propôs a condenação apenas por **deterioração de patrimônio tombado**, afastando acusações de crimes mais graves, como a **tentativa de golpe de Estado**. Apesar das mudanças, acredita-se que o voto de Fux não impactará significativamente o resultado final dos julgamentos, uma vez que os recursos ainda estão em análise.
### Contexto político
A manifestação de Fux ocorre em meio a pressões crescentes da oposição no Congresso sobre as penalidades impostas aos envolvidos nos atos de janeiro. Este movimento buscou derrubar o veto do presidente **Luiz Inácio Lula da Silva (PT)** relacionado às penas. A discussão ganhou força após a condenação do empresário **Alcides Hahn**, que recebeu 14 anos de prisão por financiar um ônibus que levou manifestantes a Brasília.
Conforme noticiado pela **CNN Brasil**, o caso de Hahn se tornou um símbolo das alegações de desproporcionalidade nas penas, levando a oposição a intensificar a pressão sobre o presidente do Congresso, **Davi Alcolumbre (União-AP)**, para que o veto seja analisado.



