Julgamento de Suspeitos no Assassinato de Marielle Franco Começa no Rio de Janeiro

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) deu início ao julgamento de cinco acusados de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, caso ocorrido em 2018 no Rio de Janeiro. Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, o primeiro dia foi dedicado à leitura da acusação apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e às sustentações orais dos advogados de defesa.
O julgamento será retomado nesta quarta-feira (25), às 9h, quando os ministros votarão pela condenação ou absolvição dos réus. Os acusados incluem Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ); Chiquinho Brazão, ex-deputado federal e irmão de Domingos; Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio; Ronald Alves de Paula, major da Polícia Militar; e Robson Calixto, ex-policial militar e assessor de Domingos. Todos estão atualmente presos.
As informações obtidas por meio da delação premiada do ex-policial Ronnie Lessa, que confessou ser o autor dos disparos, indicam que os irmãos Brazão e Barbosa seriam os mandantes do crime. A investigação da Polícia Federal (PF) destaca que o assassinato de Marielle Franco está vinculado ao seu posicionamento crítico em relação a interesses políticos e fundiários de grupos associados aos irmãos Brazão, que têm laços com milícias no estado.
Defesas
O advogado Felipe Dalleprane, que defende Rivaldo Barbosa, negou qualquer participação de seu cliente no crime. Ele ressalta que não existem provas concretas de corrupção ou influência política relacionadas à nomeação de Rivaldo para a chefia da Polícia Civil.
"Não há corrupção comprovada, não há ingerência confirmada, não há vantagem ilícita", afirmou Dalleprane.
Por sua vez, Cleber Lopes, advogado de Chiquinho Brazão, descreveu a delação de Lessa como uma "criação mental", questionando a veracidade das alegações.
"A delação é mentirosa por completo e não foi corroborada", declarou.
Igor de Carvalho, defensor de Ronald Alves, contestou a acusação de que seu cliente monitorava a rotina de Marielle. Segundo ele, Ronald e Lessa não tinham qualquer relacionamento, e a premissa da acusação é infundada.
"Ronald e Lessa sequer tinham qualquer tipo de proximidade. Eram inimigos. Como é que Ronald vai participar de um fato no qual Lessa estaria inserido, sendo que eles são inimigos?", indagou Carvalho.
O advogado Roberto Brzezinski, que representa Domingos Brazão, criticou a acusação, afirmando que não foram apresentadas evidências que sustentem a alegação de um interesse econômico por parte dos irmãos Brazão em relação à pauta fundiária da vereadora.
"Se a motivação desse homicídio é econômica… a procuradoria não mostrou nenhuma área que os irmãos Brazão eventualmente tivessem invadido", disse Brzezinski.
Por fim, Gabriel Habib, advogado de Robson Calixto, afirmou que não há provas acerca do envolvimento de seu cliente com qualquer organização criminosa.
"Robson era assessor de Domingos Brazão… isso não comprova que Robson praticava atividades de crime organizado", comentou.
Acusação
Ao longo da manhã, a Procuradoria-Geral da República defendeu a condenação dos cinco réus, assegurando que existem evidências robustas que comprovam a participação deles no assassinato de Marielle.
Familiares
Familiares da vereadora e de Anderson Gomes acompanharam o julgamento, clamando por justiça em relação a esse crime que chocou o Brasil e demandou respostas e responsabilidades.











